segunda-feira, 8 de junho de 2009

Dói, Mas Não Tem Jeito!!!



MUDOU
Taiguara


Mudou,
mudou o tempo e o que eu sonhei pra nós
Mudou a vida, o vento, a minha voz

Mudou a rua em que eu te conheci

Mudou,
a ilusão da paz do nosso amor
Mudei as rimas do meu verso cru

E o sol mudou de cor meu corpo nu


Mudou,
o impulso aflito de dizer que não
A lua é nova e a nova informação

Muda meu céu e vai mudar meu chão


A terra ardeu e céu desmoronou
E há o que fazer e a flor não me ensinou

E há o que saber e o sonho não mostrou


Mudou ,
e vai mudar enquanto eu não morrer
E vai mudar pro amor sobreviver
Vê se me entende eu mesmo não mudei


Eu sou o mesmo livro, podes ler

Eu sou o mesmo livre pra dizer:
Que eu amo ainda
Que eu quero ainda

Te espero ainda pro amor!


Linda a letra desta música, não acham? Aliás, Taiguara era um poeta de mão cheia!!! Suas letras são sempre profundas e bastante filosóficas.
Bom, diz-se que um homem que mergulha num rio, quando emerge, nem ele é o mesmo homem, tampouco o rio é o mesmo...
Todavia, a essência de ambos é imutável. Mudam-se muitos sentimentos em nós, porém, se mudamos nossa essência, deixamos de ser quem somos... E isto denota uma patologia... Que pode ser séria!
Bom, passei este fim de semana amargando uma baita gripe, da qual nem me curei ainda... Mas, o que mais me amargou foi emergir de um "rio" em que eu estava submersa até a alma, e cujas profundezas me encantaram...
Emergir de um amor é um difícil retorno ao nosso próprio mundo, de onde saímos para viver os encantos de uma outra vida... Então, quando voltamos, somos obrigados a notar que já não somos mais os mesmos, pois absorvemos muito da outra vida, acrescentando muitas coisas e deixando outras para trás.
Uma espécie de simbiose... Sabe como é? Vivemos em outro, para outro, e dependemos desse outro... Digamos assim que seria melhor dizer que é um mutualismo... Pois é possível viver sem a existência do ser amado, sim, embora seja extremamente doloroso e difícil.
É necessário aprender a viver novamente sozinho... É uma dor quase sobre humana, um vazio que sentimos, que não nos deixa dormir, que tira as cores e os sabores de tudo.
E, quando emersos, percebemos que tudo muda, menos o que sentimos... Somos o "mesmo livro"... E ainda amamos... Não muda...
Como livros, a cada vez que somos lidos, tem-se impressões diferentes.
E isto é bom... Apesar de ser doloroso o folhear das páginas, apesar de a história não ser muito bem compreendida durante a leitura... A vida é assim...
Entre apresentações e despedidas, entre as alegrias e as tristezas, estamos nós mesmos... Esses universos mutáveis, universos particulares, universos de milhões de estrelas - todas nossas - que, a todo instante, nascem e morrem em nossos corações... Todas elas nos deixam marcas, todas elas fazem parte de nossas existências, todas elas nos fazem ser quem somos... Cada palavra dita, cada espaço preenchido, cada som ouvido, cada gosto percebido, cada toque sentido... Cada um deles completam o ser, e fazem da vida, simplesmente... Vida!!!
E que tudo mude enquanto vivermos... E que o amor sobreviva...
Mudemos... Sei que dói, mas não tem jeito!!! Faz parte de ser... Simples assim. Difícil assim.

Boa semana a todos, com um forte abraço bem carinhoso!!!

Um comentário:

Anônimo disse...

Gabrielle,
Adorei a letra, muito bonita. Eu não conhecia nada do Taiguara. Vou até dar uma pesquisada em outras letras dele.
Gostei muito dos seus comentários sobre a letra e estou gostando de tudo o que escreve. Grande abraço.