terça-feira, 24 de novembro de 2009

SE...


Vou ser bem direta na minha pergunta:
SE você soubesse que morreria amanhã, o que faria?
Imagino que veria a todas as pessoas a quem ama e lhes daria um longo e demorado abraço para lhes dizer o quanto as ama e admira. E talvez visitasse os lugares mais queridos perto de onde mora.
Tomaria um loooooooongo banho. Faria aquele corte de cabelo que sempre quis mas nunca teve coragem de fazer.
Quem sabe não iria ao Shopping para comprar tudo aquilo que sempre teve vontade de ter mas nunca teve coragem de comprar, ou porque não tinha dinheiro mesmo, ou para não desaplicar aquela grana que há muito guarda pensando no que pode acontecer no futuro?
Só que o futuro agora não existe. E a perspectiva de haver um amanhã é completamente improvável.
Tenho certeza também que diria tudo aquilo que está entalado na sua garganta como se fosse um osso de galinha atravessado na goela...
E... SE você soubesse que EU morreria amanhã, o que faria?
Tenho certeza que estaria comigo fazendo todas aquelas coisas ali que acabo de descrever, se fosse você. Eu, pelo menos, gostaria de estar junto a si fazendo tuuuuuuuuuudo aquilo lá.
Eu bem ia dirigir para você para que encontrasse todos os seus amigos mais amados, e ficaria o dia inteirinho pendurada ao telefone para que você pudesse falar com todos eles. Sem exceção.
E levaria você àquele recanto que você ama, mas há muito tempo não vai. Ei!! E sabe aquele restaurante que você adora mas nunca mais foi? Iríamos lá também comer TUDO o que você mais gosta sem medo de engordar!!!
Iria ao Shopping com você para provar tudo quanto é roupa que visse pela frente. E, a mais barata ou a mais cara, você compraria, sem medo de não dormir por causa da dívida que vai ter de pagar no início do mês... Você nem vai ver nada, nadica de nada, ó?
Mas, vai espetacularmente bem elegante para casa esperar a hora certa chegar...
E aquele corte de cabelo bacanérrimo? Gente!!! Dou a maior força! Agora, não há mas tempo para se arrepender.
Eu iria com você onde quer que fosse para que dissesse ao amor da sua vida o quanto o ama. E o quanto a vida não teria a menor graça se ele não existisse. Porque você descobriu que há algo na vida que vale a pena... Que é algo seu e que vai ficar eternamente por aqui. O resto é resto.
Tudo o que você planejou, tudo o que pensou, tudo o que fez, tudo quanto gastou, todo o seu trabalho, nada disso vai fazer com que seja eterno por aqui. Mas, o amor que você deixa é o buraco de prego que você faz na madeira: O prego pode até não estar mais lá. Mas o buraco fica. E nem adianta tentar fechar. Ainda assim fica a marca.
Assim é o amor da nossa vida. É o pai, é a mãe, é o filho, é o companheiro de existência, o cachorro?
Não importa! Eu levaria você até ele...
E eu pegaria na sua mão quando você resolvesse contar tudo... Tudinho da sua vida para aquela pessoa que precisava saber. Ou estaria junto quando você resolvesse baixar o barraco nas fuças de alguém... E ajudava ecoando suas palavras e dando a força necessária. Afinal, o que importariam as reações? Você não estaria vivo amanhã para tomar o troco, hehehehehehehe!!!
Mas... Vem cá?
Precisa mesmo disso? Precisa? É mesmo necessário que você saiba que vai morrer ou que eu vou morrer para que faça tudo isto?
Aí é que tá! Vou refrescar a sua memória: Nunca se sabe quando os seus terão de chorar por você... Ou quando os que me amam chorarão por mim...
Então, uma sugestão: Corre! Não perde seu tempo! Vai lá e se encha de alegria. Receba as flores enquanto pode sentir seu aroma e contemplar sua beleza. Ouça músicas enquanto você as pode achar belas. Porém, se quiser chorar também, chore! Chore muito. Porque, assim como é mágico o momento que surge, também é magnífico o momento que se vai. E ele nunca mais volta.
Só não fique lamentando como quem lamenta a morte que chega. Sorria, levante a cabeça e curta o último segundo que lhe resta de fôlego. Sinta o ar entrando em suas narinas, percorrendo sua traquéia e enchendo seus pulmões... De vida!
Fale a verdade. Ainda que doa mais em você.
Tenha esperança. Mas não ilusões.
Caminhe com certeza. Mas não duramente.
Ria de suas quedas. Cuide apenas de levantar e caminhar, ainda que doa.
Porque dói cair. Muito. Só que se você não andar vai ficar aí no chão...
Fique triste. Mas, lembre-se de sorrir em meio às suas lágrimas.
Lembre... Sinta saudades. E que suas saudades sejam o "amor que fica"... E também o momento que não pode voltar. E uma incompletude por isso mesmo.
Ah!!!... Lembre-se sempre que a vida não é como uma fotografia que podemos a toda hora tirar da gaveta, e em cujas imagens os momentos estão eternos. Não! Ela é um caminho pelo qual não se pode voltar.
Apesar de existir memória, que a sua não seja um poço do qual você não consegue sair mais.
SE puder, lembre de pensar que pode ser que daqui a um segundo tudo isso não passará de um tempo que existiu. E que nesse instante já se tornou outro tempo... O segundo que foi é passado. O que é... Já não é mais presente. E o que virá, AINDA não existe. E já se tornou... E já se foi.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

In Memoriam

Osório Florindo de Avelar
*30-11-1918 /+15-11-2009

90 anos, 11 meses e 15 dias. Foi esse o tempo dado ao meu avô paterno.

30 anos, 3 meses e 13 dias. Foi o período em que tive a honra de ter um avô tão amável. E ainda acho pouco. Queria ter tido mais.

Mas, não tenho, graças a Deus, arrependimentos quanto a deixar de expressar meus sentimentos, ou de ouvir o que ele tinha a me dizer ou a dizer a outros. Ele era verdadeiro. E um vencedor.

Não era uma pessoa de grandes arroubos sentimentais. Não falava muito. Mas, observava tudo ao seu redor. E era dotado de uma sabedoria fora do comum. E dava muito valor - mais que ao dinheiro e coisas materiais - à palavra dada. Jamais na vida se negou a ajudar alguém que necessitado.

90 anos - quase 91 - são muitos dias para se contar. 70 anos, só de casados. E muita experiência acumulada.

Não era perfeito: Era teimoso. Muito teimoso. Só que eu nunca vi meu avô gritar com ninguém. E nem reclamar de barulho de crianças pela casa.

Assim como meu pai manifestou em palavras todo o amor do mundo, meu avô manifestou, também em palavras, aquilo que pensava de mim. E eu me senti muito honrada! Não que eu pense exatamente como ele. Mas, o fato de ele dizer me encheu de alegria:

- O que você quer com ela é sério? Espero que sim. Não a magoe nem entristeça. Porque a Gabrielle é uma jóia preciosa, e todos nesta família reconhecem o seu valor.

Meu Deus! Isso não é uma honra? Não é maravilhoso? Está certo que eu fui magoada e entristecida. Mas, meu avô acreditava no meu valor!!! Acreditava que eu valia alguma coisa. E que, como uma jóia, não se acham muitas por aí. E não são todos que a podem adquirir!

Foi por ele que toda a família foi convertida a Cristo. Boa parte da nova geração não está em Igrejas. Incluso eu. Mas, quanto a mim, poderia dizer ao meu avô que a semente da Palavra que ele lançou - creio eu que usado pelo Pai - frutificou em mim como salvação em Cristo, de onde jamais sairei.

A ficha caiu. E a tristeza me inundou. Porque agora eu compreendi que meus filhos - se eu os tiver - não serão pegos em seus bracinhos magrinhos. E nem os ouvidinhos de meus pequenos ouvirão a benção do bisavô. E nem seus pezinhos correrão sob os olhos verdes e sábios dele.

Aos meus irmãos e primos que tiveram esse previlégio, meus parabéns! Que aqueles que ele abençoou sejam realmente abençoados. E que os meus e os que faltam sejam também bem-aventurados pela lembrança daquilo que meu avô foi.

Que eu saiba como conduzi-los com sabedoria. Só posso prometer que a parte que me toca eu farei: Eu os ensinarei nos caminhos do Senhor e mostrarei O Caminho do Justo e Santo. E contarei que um dia ele ergueu os braços para agradecer a Deus pela minha salvação em Cristo, emocionado por me ver sendo batizada e dando o testemunho da minha morte e ressurreição.

Lembrarei das canções que ele amava, uma das quais eu digo aqui um pedacinho:

Vejo no céu resplendente
Do sol a clara luz
Quero viver tão somente
Brilhando por Jesus

Brilhando, brilhando
Quero brilhar como a luz
Brilhando, brilhando
Sempre brilhar por Jesus!

Meu avô, querido... A jóia que mais brilhou nessa família foi o senhor... Não eu. Meu brilho, tenho certeza, só reflete o seu e o dos outros avós que tanto amo também. Essa família é meu maior orgulho. Essa mesma que começou com o senhor e os valores que colocou em nossos corações. Jamais esquecerei do senhor, de seu carinho e de sua sabedoria.

Com todo o meu amor e saudades...