sábado, 26 de setembro de 2009

Help! I need somebody!!!





Palavras são coisas muito sérias. E podem não ser também. Depende do referencial.
Para mim, entretanto, elas tem um peso tão grande na minha história que acabaram se tornando este Universo aqui.
Dependendo de sua forma, elas tem o poder de curar ou ferir.
Palavras escritas são o tempo que tem a chance de voltar. São ponteiros de um relógio cujo sino não badala nem o pêndulo se movimenta.
Já a palavra falada é como vento que sopra onde quer e ninguém vê. Podem ser um furação destruindo tudo ao redor, e podem ser uma brisa suave trazendo refrigério a corações feridos.
Em maio, quando tive de partir da vida da pessoa que mais amei na vida, eu não entendia o que acontecia. Então, o Big-Bang aconteceu e nasceu este Universo aqui.
Havia uma propaganda que era assim, uma enxurrada de letras invadindo espaços e formando cachoeiras imensas... O Amado dizia que era a minha cara.
Sabe, uma das coisas que mais faço na vida é pensar. A ponto de ter insônia quase todas as noites. Ontem mesmo eu vi um médico dizer que é um traço comum aos insones: Pensar demais.
É o meu caso.
Penso muito sobre tudo. Sobre política, sobre a minha família, sobre meus amigos, sobre meu passado, a respeito do meu presente, sobre meu trabalho, meu lazer, sobre minhas roupas, meu corpo.
Há momentos em que emprego todos os meus sentidos aos meus pensamentos e acabo percebendo tudo - absolutamente tudo - ao meu redor. Os sons que acontecem lá fora, a temperatura externa, a temperatura do meu corpo, o som dos meus cabelos escorrendo pela cabeça quando faço um movimento qualquer. Os cheiros que o vento traz à janela do meu quarto... Quando ouço uma música, se for música com violão por exemplo, eu percebo até mesmo o som dos dedos do violonista percorrendo as cordas... Ou das crinas das paletas dos violinos arrastando-se nas cordas para fazer um violino chorar suas melodias.
Percebo o som do vento nas folhas, e uma voz ao longe falando... E assim, eu me perco nos meus pensamentos, fazendo meu cérebro juntar todas essas partes, e tentando sentir tudo em volta de mim com o coração.
Muitas são as vezes que até sou tida como desatenta... Pensam que não presto atenção ao que dizem... Mas, sou toda ouvidos a quem está à minha frente... E todos os demais sentidos ao que está ao meu redor...
O que penso e sinto também é percebido... E acabam se tornando palavras. Chega a ser angustiante, muitas vezes, toda essa sede de viver e provar a vida.
Nem sempre eu fui insone. Por um tempo eu dormi até demais. E atribuo isto a uma certa depressão que nem sabia que tinha. Mas, ela estava ali. E o sono era uma forma de fazer o tempo passar mais que depressa.
Só que, quem convive comigo de uns tempos para cá, sabe que eu durmo pouquíssimo. E penso o tempo todo.
Certo domingo, fomos à casa de Pappys e Mammys como de costume e eu lá, acabada de cansaço porque a semana havia sido puxada e eu havia dormido quase nada, como sempre. Queria, por tudo, só dormir um pouquinho naquela tarde dominical. Fomos para casa e, enquanto o meu companheiro foi tomar um banho eu fiquei no quarto escurinhobom com ordens expressas para dormir. Eis que chega a pessoa e eu lá, sentada na cama sem conseguir pregar os olhos. Até que fui, literalmente, posta para dormir com ele o tempo todo me pedindo para parar de pensar um pouco. Deu certo. Pena que o telefone tocou e eu dei um pulo assustado e o sono foi embora novamente...
Mas, o fato é que as palavras inundam meu ser... E me enchem como se eu fosse uma esponja que precisa de água o tempo todo... Isto até me faz perder o rumo que quero seguir.
Porque há tantas coisas no mundo para eu ver, sentir, provar, que não sei se vai dar tempo!!!
Porém, enquanto isto, eu fico aqui consolada com o fato de poder escrever demais... Numa verborragia que, se fosse hemorragia, me faria morrer.
E, aqui escritas, as palavras me dão a chance de revisitar o passado vivido e sentido. E ter a chance de mover os ponteiros do relógio da minha existência para eu ir ao momento que quiser.
As palavras ditas ficaram lá atrás. E ficou o dito pelo não dito. Todavia, as que eu redigi, em cartas, e-mails, ou ainda em poesias, são documentos de um momento que pode voltar cada vez que forem lidas novamente.
Pena... As que dizemos podem ser tão lindas também... Mas, a memória, para algumas pessoas, só é palpável quando se escreve, uma vez que a escrita documenta o pensamento, as ações e os costumes. A escrita é o relato de uma época, ainda que este período seja apenas sentimento.
Eu costumo me lembrar de tudo o que eu digo. Ainda que pensem que não. Porém, eu, como ser humano que sou, posso mudar de idéia. Afinal, a vida segue em frente, rumo ao desconhecido. Ainda bem que há a possibilidade de podermos, de alguma forma, evoluir.
Nossa... Que loucura! Hoje, então, estou demais... Numa agitação mental que mal consigo saber o que estou dizendo...
Você aí, pode dizer se há algum sentido nisto que escrevi?
Socorro!!! Hoje eu não tenho quem me coloque para dormir, me mande parar de pensar... Desse jeito aqui, eu vou looooooooooooooonge, longe!!!

Mais selinhoooooooos!!!

Gente, mais selinhos...
Como de costume, eu os colocarei na sua galeriazinha, ou seja, ali ao lado.
E, como sempre também, eu vou ter de indicar Blogs que já ganharam os mesmo selinhos por uma razão mais que simples: Eu realmente acho tudo isto deles. Só faço e falo o que acredito. Não gosto de mentir, por isto mesmo é que eu indico estes. Mesmo porque sou leitora assídua e fã incondicional de suas escritoras...
E vamos lá para as regrinhas deles:
Para o selinho "Exemplaridade" temos de indicar 5 Blogs e dizer os motivos pelos quais eles são exemplos para mim:
Fufuquices: Ele é muito fofo! A Claudinha é uma mulher daquelas que a gente morre de vontade de conhecer porque é extremamente cativante. Corajosa, cheia de vida, de brilho, de cores e aromas e poesia.
Vou Mais Leve: A Elisa é um exemplo para mim. Como mulher, como esposa, como mãe... Ela é uma meiguice só. E é leve mesmo!!! Sua alma é leve simplesmente porque ama e consegue ser amada. E porque sabe aproveitar as pequenas coisas da vida como se fossem as mais importantes. E são mesmo.
Demais Para Minha Cabeça: A Adri é tudodebomnomundooooooooo!!! Minha carioquinha maravilhosa!!! Aliás, só por ser carioca já seria fofa!!! Hehehehehehe!!! Bom, ela sabe o que diz. E diz com uma propriedade desconcertante. Em poucas palavras. Não é verborrágica como eu sou. O que por si só já é digna de minha admiração eterna. Admiro quem é conciso. Admiro. Ela não precisa ser verborrágica. Porque ela vai ao cerne da questão e é completa em suas palavras cheias de vida.
...Deixa estar que logo eu indico os outros dois... Certo?
Quanto ao selinho "Este Blog é De Ouro", as regras são:
  • Linkar a indicadora... Desta vez foi a Claudinha, do Fufuquices, já linkada acima.
  • Dizer quais coisas de que mais gosta no Blog:
  1. De poder dizer o que sinto e penso porque aqui eu sou o centro do Universo - Hehehehehehe!!! Pelo menos aqui eu posso dizer isto, não é mesmo?
  2. De TODOS os comentários.
  3. Das pessoas maravilhosas que me visitam assiduamente, incluindo as três acima linkadas, e mais algumas que sempre estão aqui, brilhando nos espaços do meu ser. Ei, Paulo, este item inclui você, e mais a Renatinha, a Katinha e os outros Anônimos!!!
Eu repasso este selinho a todas as já citadas acima, mesmo porque, a terceira regrinha, a de repassar, é dedicá-lo a quem você ama e lê sempre... Bom, são elas... Sou viciada nessas mulheres e seus mundos magníficos e instigantes.
Eu aproveito aqui a oportunidade, mais que oportuna, para dizer a todos os meus amigos mais queridos, e os que não são amigos ainda, que fico extremamente honrada com a visita de vocês que perdem uma boa parcela de seu tempo lendo o que tenho a dizer.
Beijo enooooooooooooooooooorme a todos vocês, cheio do meu carinho!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Metamorfose Ambulante II

Pois, bolinhas, pintinhas!!!
Achei o que eu queria... O 30 em Uns também está de visu novo!!!
Bem meiguinhos, os Blogs, agora sim, tem a minha cara!!! Hehehehehehe!!!
Coisas de menininha... É, dessa mesma que ainda não foi embora de mim!
Beijocas cheias de "bulinhas"...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sim, Nós Sabemos!!!


Pedi licença à minha Amiga Adri Polo para vir aqui e discorrer umas linhas a respeito do que ela escreveu lá no Blog tudodebom dela!
Ela falou a respeito de dúvidas. E de certezas.
Sabe, Adri, uma das melhores coisas em se completar 30 anos é que já sabemos o que queremos e, mesmo o que NÃO queremos.
O último ano foi para mim um ano de milhares de descobertas sobre mim mesma.
Em um curtíssimo espaço de tempo, eu vivi o que não passei por quase 10 anos.
E, quando você postou lá no seu Blog maravilhoso a respeito de como gosta de gente decidida, eu fiquei lembrando de quantas coisas eu descobri.
E uma delas é que muitas vezes desejamos saber e não sabemos. E, quando desejamos saber, muitas vezes pensamos que sabemos. E não sabemos.
Sabe aquela coisa de "querer é poder"? Mentira. Nem sempre é assim.
O saber implica em experimentar. Não se sabe até que se tenha passado por uma situação, experimentado algo, sentido...
A imaginação, o querer, o desejar são prodigiosos, sem dúvida alguma. São formas poderosas de alcançar o que se pretente. É o fio da meada que puxamos para desenrolar o novelo. É o Pensamento. O nascer do conhecimento, o berço da ação.
Mas, Adri, amiga linda, como é bom descobrir o Universo que somos, não é?
Como é bom saber que você prefere as passas escuras!!! Eu prefiro as brancas... Oras, poderíamos fazer um almoço bem bacana... Olha só, poderíamos fazer o seguinte: Encher uma salada bem gostosa das duas variedades, daí, você separa no seu prato as escuras e eu as brancas no meu. Daí, eu pego as suas brancas e você as minhas escuras!!! Seria bem divertido!!!
Viu só? Nosso encontro, amiga, já começou com um pensamento meu a respeito daquilo que você prefere. Daquilo que você decidiu que é melhor para o seu paladar... E eu já estou achando gostosíssima nossa salada, imaginando como será bom estar junto a você e outras de nossas amigas lindas nessa cidade divina que é o Rio... Meu recanto...
Pois é... Eu prefiro amêndoas às nozes. Prefiro Sorvete de Tapioca com Calda de Goiabada Cascão ao Vinho que o Dudu Camargo criou divinamente. Prefiro a Quitinete ao Universal... Não porque a comida é melhor - ambas são maravilhosas... Mas, é que os momentos mais felizes foram na Quite...
Prefiro vinho tinto ao branco. E prefiro o seco ao suave. Mas, aquele prato com robalo que tem lá na Quite... Comi demais... Bom com um vinhozinho branco... Eu acho!
Gosto de carne vermelha. E delas, prefiro cordeiro - e se for o do Lagash ou aquelas peças maravilhosas da Fogo de Chão.... Huuuuuuuuuummmmmm!!! Gosto mais da comida italiana do que da francesa, mas a francesa me encanta com seus aromas, sua arte, sua história.
Prefiro branco ao preto, apesar de vestir mais preto do que branco. Mas, de vez em quando, também uso um vermelho, quando estou me achando.
Prefiro camisas ao invés de camisetas e tenho uma coleção delas.
Prefiro sapatos altos aos baixos. Prefiro o nude ao bege - Hehehehehehe!!!
Prefiro pantalonas às calças justas. E amo saruel!!!
Prefiro Jazz e Bossa à Sertanejo. Prefiro dançar a ficar em casa.
Prefiro a Europa e toda a sua história... Mas, um dia, quero ir aos Estados Unidos com dinheiro para gastar tudo!!!
Prefiro o frio ao calor, e a noite ao dia.
Prefiro não tomar sol. Preferiria fazer amor à beira de uma lareira, num tempo bem frio, com uma taça de vinho perto de mim, e junto a frutas e queijinhos.
Prefiro dormir de dia do que à noite - coisa doida, né? E prefiro travesseiro de plumas ao de viscoelástico.
Prefiro colchão de molas e alto do que uma cama baixa e de espuma.
Prefiro deixar a cama arrumada.
Prefiro pijamas compridos. Mas, não sou tão básica assim...
Prefiro dormir no silêncio. Prefiro ler enquanto estou desperta, e não quando tenho sono.
Prefiro assistir a filmes de crianças com crianças. Mas, mais ainda, prefiro assistir a filmes em casa, que é para, quando achar uma cena chata, eu adiantar. E quando amar outra, voltar cinco mil vezes se for preciso.
Prefiro viajar de carro do que de avião. Mas, amo voar também... Mais até do que rodar por aí... Mas, ambas as formas de locomoção tem seus encantos...
Prefiro a montanha ao mar. Mas, o som do mar é o mais lindo do Universo inteiro!
Prefiro a luz de velas. E ficar em casa dançando uma música suave com o amado... Prefiro um peito para deitar. E um coração para ouvir. Gosto demais que me ponham para dormir... Mesmo que eu não durma! Posso fingir, só para sentir o cuidado gostoso de quem se preocupa comigo...
Prefiro conversar horas a fio sobre tudo e sobre nada. E ver televisão rindo abestadamente uma risada daquelas mais gostosas e ruidosas do mundo...
Prefiro ter um amor do que ser só. Mas, também gosto desta fase gostosa que estou vivendo!
Decidi, ao cabo de tudo, que quero ser e sou feliz. E decidi também que os outros são os outros e serão respeitados e amados por isso. Mas, não deixarei de ser o que sou, quem sou e do que gosto por causa de seu ninguém!
Gosto! Gosto mesmo das coisas boas. Gosto mesmo do que é mais caro e só não compro se não tiver dinheiro... E decidi que não sofrerei porque não tenho o que quero.
Decidi também que quando eu tiver de chorar eu vou chorar. E quando estiver com raiva, eu vou explodir!!!
Quando eu quiser falar palavrão eu vou falar. E quando eu quiser abraçar, eu vou abraçar.
Decidi que quando quiser usar batom vermelho, mesmo com meu bocão, eu vou mandar ver...
E decidi também que, quando o amor me chamar, eu vou seguí-lo... Ainda que, novamente, eu me despedace em mil... Porque eu decidi, por fim, que eu vou viver tudo quanto eu tiver de viver. Sem lamentar.
Sabe, amiga... Estou gostando dessa coisa de ser mulher, viu? E mais ainda dessa coisa de saber o que quero. E de saber também o que não quero.
E de saber que sei porque experimentei!!! Que sei do que gosto, que sei o que quero. Que sei o cheiro que me provoca arrepios - de tão bom que é, ou de tão ruim.
E que gosto demais de você! Apesar de nunca termos nos visto pessoalmente, sou louca para ver você e para ver a Elisa... E a Claudinha... Para conversarmos coisas que são Demais para Minha Cabeça, e para, ao final de tantas Fufuquices dizer: Vou mais leve...
Lindas, vocês são mulheres que, decidi: Vou gostar e admirar para o resto da minha vida!!!

Beijos!!!

Chuva de Selinhos!!!

Gente, ganhei um tanto de selinhos, Hehehehehehe!!!
E só agora eu vou postá-los aqui... Mas, eu já os coloquei ali ao ladinho, todos juntinhoslindosfofos!!!
Beijos à Claudinha, Adri e Elisa, minhas lindas amigas da "Blogolândia", como diz a Claudinha.
Espero um dia encontrá-las!!!
Beijo enoooooooooooooorme em vocês, e seguem as regrinhas...
Lindinhas, não é falta de imaginação... Mas, eu teria de indicar 5 Blogs para dar os selinhos... Mas, já sei que receberam todos eles... Se não receberam todos, são de vocês os que ainda não são seus... Porque, tenham certeza absoluta: Acho mesmo seus Blogs tudo o que eles indicam!

Regrinhas do Selinho "Seu Blog É Mágico":

1. Postar o selinho e as regras
2. Responder às perguntinhas:
  • Uma música mágica? You Come To My Senses, do Alessandro Safina
  • Um filme mágico? Ai, são tantos... Mas sou fissurada em toda a Trilogia do Senhor dos Anéis... Já vi milhares de vezes.
  • Uma viagem mágica? Israel...
  • Um acessório de maquiagem mágico? Rímel preto... Aliás, uma unanimidade! Deixa o olhar mais que poderoso.
3. Indicar o selinho a 5 blogs mágicos:
Bom, 3 eu já indiquei... Mas, vamos lá mais dois:

Lindos!!!

Beijoooooooooooos, meninas!!! Muitíssimo obrigada!!!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Amor e Nada Mais.

Hoje meu pai lindo foi condecorado com a Medalha do Mérito da Alvorada.
É uma honraria concedida pela NOVACAP, por meio de proposta parlamentar distrital, a personalidades de diversas áreas de atuação e que prestam relevantes serviços à sociedade do Distrito Federal.
Gente... Hoje foi um dia queeeeeeeente!!! Santo Pai Eterno... E eu lá tietando meu Pappys lindo. Ele é tão lindo!!! Tão cheiroso...
Bom, não preciso dizer o quanto admiro meu pai.
Ele é de origem humilde. Sempre tiveram tudo o que precisaram, mas ele teve de trabalhar cedo.
Ele foi ajudante de pedreiro, já trabalhou em dois empregos em locais extremos - não me perguntem como ele conseguia -, morou longe da minha mãe e da minha irmã para poder juntar dinheiro e construir a casa onde passei boa parte da minha infância, sem qualquer ajuda ele passou no concurso público que, na época, foi o mais concorrido, deixando um emprego em um Ministério que pagava até mais.
Pouco a pouco, persistente como é, ele galgou o mais alto posto da sua área de atuação, e saiu da Caixa Econômica Federal como uma das pessoas mais especializadas no mundo naquilo que fazia.
Logo que saiu foi prestar consultoria em uma empresa.
Nada foi fácil, entretanto. Ele passou por situações difíceis, mas nunca o vi reclamar do que quer que fosse.
Todo esse trabalho nos rendeu aquilo que de melhor poderíamos ter. Uma excelente educação, mas tudo sem luxo ou ostentação. Vida de classe média muito bem vivida.
Ele sempre foi equilibrado. E sempre foi muito tenaz.
Antes mesmo de deixar a Caixa ele começou a fazer o curso de Teologia. E, na verdade, ele saiu de lá para se dedicar ao pastorado. Ofício que ele exerce até hoje, e que levou um dos nossos deputados distritais a indicá-lo para o recebimento da medalha por causa dos serviços sociais que a igreja tem feito na comunidade onde está inserida.
Claro que meu pai não é uma pessoa perfeita.
Ele é teimoso, para começo de conversa. E, muitas vezes é rabugento.
Mas ele é lindo, cheiroso, e foi a pessoa que mais demonstrou amor por mim em toda a vida. Eu não canso de dizer isto. E já disse inúmeras vezes. Porque não quero esperar que ele morra para sentir o que sinto, nem dizer o quanto eu o admiro.
Somos assim... Os dois mais circunspectos... Mais comedidos. Mas acho que somos os que mais sentem tudo ao redor.
Temos a mesma opinião sobre diversas coisas. Inclusive sobre o momento de calar. Porque sabemos como uma palavra pode ser nociva, como pode ser destrutiva.
Amamos deixando livre. Ainda que nos pareça uma idiotice o que o outro está fazendo, pela simples razão de que a vida é para ser vivida individualmente. Vemos o que vai acontecer, mas sabemos que não adianta ver com nossos olhos sendo que são os olhos alheios que não enxergam.
Ele sempre fez isto comigo também.
Acredito que desde que nasci.
Todo pai e toda mãe sabe que para o filho aprender a andar é preciso soltar a mãozinha da criança. E ela vai cair.
Ele me viu sofrer diversas vezes... As minhas duas grandes desilusões (por coincidência, os dois únicos relacionamentos que tive que, segundo Mammys, ela gostou), foi ele quem consolou.
Pensa que esqueci, Pai? Não!!!
Da primeira vez eu também chorei compulsivamente sobre seu colo. E foi a sua mão que afagou meus cabelos... Faz tanto tempo!
Desta última vez também. Foi sobre seu peito que deitei e chorei... Por sua causa, eu sei, eu não me entreguei à tristeza profunda.
E foi da sua boca que eu ouvi há um ano atrás: "Não importa o que você fale, não importa o que faça, não importa o que seja. Eu amo você, e estou aqui para lhe dar todo o apoio que precisa. Só não me peça para ser conivente com o que é errado, porque você sabe que não posso fazer isto, ainda que a ame. Mas, tudo que é meu é seu. E nada no mundo fará com que eu a ame menos".
Você talvez não saiba, Pai, que o ar poderia ser cortado naquele momento tão denso era o amor que invadiu aquela sala.
Você tirou a vergonha de sobre mim. E eu não temi mais nada. Naquela noite eu compreendi o que é Misericórdia e o que é Graça. E soube o quanto Deus me ama e por isso mesmo me perdoou.
Dias depois você me ensinou que não adiantava amar mais aos outros do que a mim mesma. Que a vida era minha e que só eu era responsável por ela. E que ninguém mais poderia viver por mim. E que, por isso, eu teria de arcar com todas as responsabilidades por aquilo que eu fizesse. Mas, sempre colococando-se ali, perto de mim, para me dar a mão caso eu caísse.
Meus lindos irmãos, brincando eu sei, sempre me provocaram dizendo que fui achada na lata do lixo, hehehehehe, e eu só posso dizer uma coisa a respeito: Quanta honra a minha se isto fosse verdade!
Ainda que eu descobrisse tardiamente que algo aparecido aconteceu, eu só poderia dizer que sou a pessoa de maior sorte do mundo!
Tantas vidas eu tivesse, queria que você fosse meu pai em todas elas.
Por muitas vezes eu senti a sua falta. Mas, hoje, eu sei que estava o tempo todo presente em minha vida por meio de sua provisão, por meio de seu amor que o fez sacrificar sua vida e seu tempo para que eu, minha mãe e meus irmãos tivéssemos tudo o que você nunca pode ter.
Sinto muito só por não corresponder na totalidade aquilo que você sonhou para mim.
É que você me ensinou que preciso aprender. A cabeça é dura, mas um dia eu aprendo.
Gostaria que todos tivessem em mente como é ter alguém que nos ama assim incondicionalmente por perto. Isto é algo que nos faz perder o medo. Pode o mundo desabar sobre sua cabeça, e pode ser que você se quebre em zilhões de pedacinhos pelo chão. Não importa. O amor nos reconstrói. E NUNCA sai de perto.
Gostaria que você, Pai, pudesse me ver feliz e realizada. Como eu gostaria!
Como eu queria ver você colocando minha filha para dormir sobre seu peito, do mesmo jeito que fazia comigo... E queria muito que você andasse de mãos dadas com ela, assim de vestidinho branquinho de algodão e pezinhos descalços.
Sem medo eu a deixaria sob seus cuidados e de Mammys para que ela pudesse curtir o que é ter avós.
Ia fazer de conta que ficaria com raiva dos mimos que dispensariam a ela, mas eu, no fundo, iria sorrir porque agora sei que vocês só tem a obrigação de avós de "estragar" nossos filhos.
Achei que estes momentos estavam próximos de acontecer. Mas, não deu, Pai. Ainda não.
Mas, sei que, mesmo que não aconteça, seu amor por mim continuará o mesmo.
Como eu o admiro! E como tenho certeza do seu amor.
São poucas as coisas que eu posso afirmar com certeza: Que Deus é soberano e cheio de Graça e Misericórdia e vive em mim por meio de Cristo, e que você e Mammys me amam.
Do restante eu sei. Mas nunca com certeza tão absoluta assim.
Portanto, Pai lindo, a honraria de hoje foi mais que merecida. Mas, se soubessem quem você de fato é, ela seria apenas um vislumbre daquilo que você merece. Só que eu acho que nada há nesse mundo que esteja à sua altura.
Amo você!

domingo, 13 de setembro de 2009

No Colinho!!!
















Que dia maravilhoso foi este domingo!!!
Hoje eu não fiz o que era habitual. Apesar de o habitual ser maravilhoso também.
O costume é todos os domingos ir para a casa dos meus pais, ou dos meus avós ou do meu primo. Enfim, ficar com a minha família mais que amada.
Todos os domingos são de alegria imensa, embora eu não permita que os outros percebam isto.
Só que amo ouvir as risadas dos meus. Seu jeito simples de ver a vida, a leveza ou o peso que carregam.
Ficar perto já me dá alento e uma carga extra para passar a semana.
Esta semana, entretanto, eu ganhei uma nova "pilha" para experimentar.
Foi tudo novo para mim.
Havia mais de 20 anos, eu acho, que eu não andava de moto. Sempre tive medo. E, a última vez foi com um tio meu, andando bem devagarzinho para eu não cair.
Confesso que não gosto nem um pouco da sensação de insegurança, de fragilidade, de vulnerabilidade que a motocicleta nos dá. Porém, tenho a consciência de que os automóveis nos dão uma falsa sensação de segurança. São mais seguros, é verdade, mas essa sensação é o que faz com que nos arrisquemos mais. Com manobras arriscadas, velocidade elevada... Eu que o diga! Pé pesaaaaaaaaaado!!!
Então... De moto fomos ao Jardim Botânico, local aqui do Distrito Federal que nunca havia visitado. Lugar aprazível, mas que poderia ser bem melhor... Porém, valeu a visita pelo magnífico Jardim dos Aromas... Muitas ervas aromáticas que fazem parte da minha infância: Mangericão, alecrim, malva rosa, poeijo, hortelã, menta, boldo, cavalinha, lavanda, erva doce, citronella... Isto sem falar no cheiro do cerrado, que também é maravilhoso.
E um dia queeeeeeeente, lindo, aberto, céu magnificamente azul.
Depois, almoço! Huuuuuuuuuuuum... Que delícia!!!
Só o suco já teria valido a pena. Outro gosto da minha infância, desta vez, os tempos passados em Natal, terra de minha mammys: Suco de mangaba - da própria fruta, não era polpa!!! Uma jarra cheia, da qual só dei conta de tomar dois copos.
Outro fato inaudito: Comi quase a mesma quantidade que meu amigo!!! Mais de meio quilo de comida, gente!!! São quase 22h e até agora eu não tenho fome!!! Hehehehehehe!!!
No meio do caminho, o convite para ir com os sobrinhos dele comprar o presente de aniversário do pequeno...
Deixada a moto em casa, de carro fomos buscar os pequenos. Liiiiiiiiiiiiiindos!!!
A menina me deixou encantada, tamanha a sua beleza. Era impactante. Olhos claros, puxadinhos, narizinho arrebitado, sardas bem clarinhas, cabelos cor de mel.
O rapazinho igualmente lindo, mas ela era um encanto. Não sei se me encantei porque sou louca por meninas, mas realmente ela me cativou.
Na volta para deixar as crianças, eles dormiram. E lembraram-me, mais uma vez, de quando eu era pequena.
Muitas vezes, ao voltar de algum lugar, eu adormecia no carro. Sempre tive o sono leve. Sempre.
De forma que, quando meu pai me chamava para sairmos do carro, invariavelmente eu o estava ouvindo. Só que, por diversas vezes eu continuava com os olhinhos fechados só para ele me carregar no colo. Amava o colo do meu pai.
Aliás é uma das lembranças mais doces da minha vida. O colo do meu pai.
Quantas foram as vezes em que fiquei deitada horas a fio sobre a barriga dele. Não dormia. Mas era tão bom que eu ficava ali, escutando sua respiração, as batidas do seu coração, sentindo o cheirinho bom dele, o calorzinho gostoso e sua voz cantando para mim... Tantas músicas de que ainda me lembro.
Há pouco tempo eu tive novamente essa experiência. Foi no feriado do Dia de Tiradentes. Dessa vez, de tão bom que foi, eu dormi. Lógico que não com meu pai... Mas, isto não vem ao caso.
De qualquer forma, eu tenho viajado no tempo...
E tem sido tão gostoso, quente e aconchegante como o dia de hoje. E tão alegre quanto tem sido a minha vida.
Tive vontade de pegar aquela menina no colo hoje quando chegamos. Não queria que ela acordasse só porque eu sei que é tão gostoso ser carregada.
Se ela soubesse que vai precisar carregar a vida, e que suas pernas terão de sustentar a sua história que, com os anos que passam, fazem os joelhos mais frágeis, ela teria continuado com os olhinhos fechados como eu fazia.
As pernas pesam, não porque a vida fica mais difícil, mas é porque a vida tem o peso da história que vivemos.
O coração, a alma, os sentimentos ficam mais leves. Nada mais é novidade. Só que, se nos livramos de pesos, é porque um dia eles estiveram sobre nós. Por isto, o corpo sente tardiamente os "abusos" sentimentais que cometemos.
Uma pena, ao meu ver.
Linda menina de olhos verdes... Queria você nos meus braços! Daquele mesmo modo como você segurou a boneca que acabava de ganhar do titio. Tomara que você tenha o privilégio de ser colocada no colo muitas vezes assim como eu. E, quando chegar a ser mulher, que um dia o seu amor a coloque sobre o peito também. E que você durma, de tão bom que é ouvir o som do coração, sentir o cheiro e o calorzinho gostoso do aconchego.
E que você possa ver outra menininha e desejar o mesmo para ela.
Eu, por minha vez, quero colinho... E também quero vento no rosto, dias de sol e suco de mangaba, assim como quero dias frios e ficar aconchegada e, simplesmente, amar.
Só que, da próxima vez, eu juro que subo em uma árvore, que é para a criança que mora dentro de mim, voltar para ficar.

Boa semana a todos!!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Metamorfose Ambulante

Como todo Universo que se prese, o meu está constantemente em mutação.
O universo em que habitamos muda a cada átimo de segundo. Só que, dada a sua imensidão, não percebemos as mudanças que acontecem a todo tempo.
O meu não podia ser diferente.
Assim, caríssimos, eu comunico solenemente que o layout mudou... Usando um bem mais clean, que me permite, inclusive, que seja customisado de acordo com aquilo que sinto em determinados momentos...
Está bem assim?
Bom, enquanto eu não enjoar...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Olha a Chuvaaaaaaaa!!!




Feriado Nacional. Em homenagem à Independência do Brasil...
Dia lindo! Como em quase todos os anos. Fui à casa de um dos meus primos queridos que mora em uma chácara próxima ao lugar onde fui criada. Mas, é longe. Logo fiquei aborrecida por causa de um engarrafamento monstruoso no centro da Capital. O aborrecimento passou depressa com a velocidade do carro. Alta por sinal, o que quer dizer que minha raiva passou a 120 km/h diante de mim.
A casa do Eduardo é longe, não só porque é distante de algum lugar, mas porque não pega celular, não tem internet...
Confesso que no início eu cheguei a ter uma certa síndrome de abstinência deste tipo de tecnologia. Como se meu telefone vivesse tocando. Até parece... Quase ninguém me liga! E como se eu recebesse milhares de mensagens eletrônicas.
Mas é que a sensação de estar alijada do mundo e dos acontecimentos e o fato de eu precisar falar, com alguém, ou só desejar isto por qualquer motivo que seja e não conseguir me apavora!!!
Passado um certo tempo, de tantas e tantas vezes que eu tenho ido até lá onde meus amados primos e tios moram - no lugar que está se tornando uma charmosa e aconchegante vila - eu já nem tenho sentido mais tanta falta dessa tecnologia. Foi coisa banal. Nada que umas horas de conversa, risos, música e dança não sarassem.
Ontem eu estive lá com meu doce e gentil amigo, e lá estavam as figuras familiares dos meus amados primos, meu tio, da criançada... E, como hoje, amanheceu um lindo dia de sol. Queeeeeeente!!! Suei em bicas, fiquei cor de rosa, como sempre... Mas, valeu a pena. Nada como ter sempre um leque na bolsa. E eu sempre tenho.
Ontem, assim como hoje, depois do almoço caiu aquela chuva!!!
Só que a de hoje foi bem pior que a de ontem. Pior não. Mais forte.
Quando eu era criança, eu tinha fobia de chuva. Fobia mesmo. Quando eu sentia aquele vento diferente, quando via o céu escurecer, sentia o cheiro de terra molhada que o vento trazia de longe, eu já sentia uma dorzinha de barriga, daquelas que só sentimos quando o medo chega com muita força. Era como se fosse um vazio no baixo ventre que, subitamente, era preenchido por um monstro vindo das profundezas do abismo e começasse a cospir fogo dentro de mim.
Ao mesmo tempo em que eu sentia aquela agonia me subia um calor: Era ele, o tal monstro me devorando com sua chama impiedosa!
Quem me conhece bem sabe que quando me sobe esse tal calor eu fico, invariavelmente, e por qualquer motivo que seja, muuuuuuuuito vermelha.
É impressionante.
Quando ia começar a chover, eu começava a chorar. Era uma sensação muito ruim. Trovões? Relâmpagos? Raios? Ai meu Deus!!! O pânico tomava conta de mim.
Minha mãe conta que um dia eu saí gritando para a minha Bá: Nê, vamos, vamos molhar as plantinhas, vamos!!!
Ao que ela respondeu: Mas não precisa! Vai começar a chover!
E eu falei: Mas, a minha mãe disse que Deus manda a chuva para molhar as plantinhas, e se a gente molhar antes dEle, então não vai chover!!!
E todos começaram a rir de mim. E eu comecei a chorar, porque simplesmente não entendia que não bastava a minha vontade para Deus não mandar a chuva. Ela vinha. Porque era época de vir. Porque o mundo precisa dela. Porque tem sido assim desde que tudo foi criado. Porque a vida precisa continuar, a despeito do choro de uma menininha.
Quando chovia e era noite, eu até ficava sozinha no meu quarto. Mas, era sempre com muito pavor. Muito. Encolhida na cama, totalmente coberta - coisa de que tenho horror até hoje - eu não conseguia dormir. A cada relâmpago, eu tampava meus ouvidos para não ouvir os estrondosos trovões que viriam em seguida.
Meus pais sabiam que eu nunca pediria ajuda. E que não teria coragem de sair da cama para pedir para ficar com alguém. Por isso, minha mãe me levava pela mão, com meu colchãozinho na outra mão, e me colocava para dormir no quarto com meu irmão. Para o pavor arrefecer, bastava estar perto de alguém. Não precisava me abraçar. Bastaria estar pertinho. Mais nada.
Não sei até hoje quando foi que aquele medo passou. E como ele começou.
Hoje, eu amo a chuva. Ainda sinto um certo incômodo com os relâmpagos e trovões. Mas, acredito que é mais por causa dos meus ouvidos ultra sensíveis do que por medo.
E hoje, saindo da casa do Eduardo, no carro com o Luiz e os filhotinhos dele, com aquela chuva toda que dava vontade de parar o carro e não seguir em frente, mesmo assim, eu ainda falei para ele que era melhor continuar. Era mais perigoso parar do que seguir adiante devagarzinho. Ligamos os faróis, o pisca-alerta... Só que não dava para ver mais de dois metros à nossa frente.
Mesmo assim seguimos.
Ainda bem que não sou mais uma menininha.
E ontem, eu ali naquela varanda, debruçada sobre a mesa, sentindo aquele vento maravilhosamente úmido, ouvindo aquele som divino, sentindo aqueles repingos nas minhas pernas, nem os meus primos, nem as crianças, nem o meu amigo desconfiaram que dentro de mim já viveu uma menina que tinha pavor da chuva. Eu também me esqueci que ela estava ali. Que ela já existiu. E ficou em algum lugar do passado junto às lembranças que volta e meia eu revisito.
Ela cresceu e se tornou a mulher que sou hoje. Um pouco menina, é verdade, mas que pede para o carro andar, ainda que a chuva não lhe deixe ver um palmo diante do nariz.
É que ela sabe que o medo é proveniente do que ela não conhece. E que ele não impedirá a ação da natureza. Que as plantas precisam é do regador do Céu. Que o vento sopra onde ele quer e levará a chuva também para onde ele desejar. Que não adianta tentar dar uma mãozinha para Deus, tentando, com uma mangueira, dar vida ao que quer que seja.
Em suma, aquela menininha aprendeu a caminhar, mesmo que devagarinho, em frente. Sabendo que é perigoso. Só que a mulher sabe que é mais arriscado parar. Porque a chuva acontecerá. E vai passar e dará lugar a um céu mais azul ainda, revelando a explosão da Primavera que chega.
Refrescando o calor do dia inteiro. Enchendo de vida os lugares por onde a água passou, lavando todas as impurezas, acordando muitos seres que dormiam aguardando a sua chegada.
Hoje, diante dos olhos dos que amam, mas ignoram o que passou, ela suspira o cheirinho da terra molhada. E vibra de felicidade só porque depois um sabiá vai cantar para ela dizendo que está feliz. Porque a menininha medroza, virou mulher.
E porque a mulher, quer mais é que chova. Porque ela vai em frente. Daqui a pouquinho vai fazer sol novamente.
E, se não fizer sol, a noite cairá. E mostrará as suas estrelas.

Fotos: By Gabi - Exposição Lágrimas de São Pedro/ Caixa Cultural, num dia lindo de sol. Mas que, no coração, estava chovendo horrores. Tempestade...
Instalação Recomendadíssima!!! Quando chegar à sua cidade, vá correndo ver as gotas d'água e ouvir o lamento de lavadeira. Lindo de ver, delicioso de ouvir.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sobre Parquinhos e Menininhas


Minha mãe sempre adorou reformas. Sempre. Meu Deus! Acho que ela deveria ser mestre de obras... Nunca vi.
Jamais morei com meus pais em uma casa em que ela não fizesse uma reforma. Nunca!
Bom, na primeira grande reforma da minha existência, fomos passar uma temporada na casa de um tio meu, irmão de minha mãe. Lá perto - bem perto meeeeesmo - havia um complexo com quadras de esportes, com aparelhos de exercício e um parquinho que, na época me parecia enorme. Havia tudo de que gostava demais: Balanços, gangorras, barras para pendurar, aqueles blocos de barras de ferro... E muita areia!!!
Todo esse complexo ainda existe e fica perto do estádio de futebol da cidade onde fui criada, e agora conta ainda com um ginásio bem legal.
Um dia, naquele tempo, resolvi brincar. Para chegar àquele parquinho, eu tinha de subir um barranco e atravessar a tela de metal que estava cortada e por onde passavam todas as crianças ali da quadra. Nem sei que horas eram aquelas. Mas, eu sei que fazia muito sol mas o dia estava agradável.
Havia duas meninas ali também, que chegaram antes de mim. Uma maior, mais ou menos da minha idade, e outra menorzinha, irmã da primeira.
Fui brincar sozinha como fazia boa parte das vezes. E a menina maior mandou que eu saísse. Eu olhei para ela e pensei: Oras, esse parquinho não é dela, por que está me mandando ir embora?
Não falei nada, todavia. Continuei no balanço.
Ela nem falou uma segunda vez. Chegou perto de mim e imediatamente parei de balançar. Ela simplesmente me deu um tapa na cara. Sem aviso e sem motivo eu levei um tapa no meu rosto.
Levantei-me silenciosamente com uma vontade enorme de chorar, e atravessei a tela de metal.
Meu rosto pegava fogo de tanto que ardia. Eu fiquei meio sem fôlego com vontade de chorar tentando entender o motivo de aquilo haver acontecido.
Mas, no meio do barranco, eu pensei: Que desaforo! Eu nada fiz! Vou voltar.
Mesmo com medo eu voltei. Sentei novamente no balanço. Quando a garota veio ralhar comigo novamente, eu simplesmente disse: Esse parquinho não é seu! Nem meu. É de todo mundo que mora aqui, e eu não vou sair.
E ela berrou: Vai embora!
E eu disse, sem gritos que não sairia.
Como num passe de mágica, ela perguntou o meu nome. Eu respondi. E começamos a conversar. Simples assim.
Até hoje eu não entendo o que aconteceu. Não sei se por causa da minha aparente calma ela resolveu que eu não era inimiga dela e começou a brincar comigo e sua irmãzinha.
Pode ser também que ela tenha achado interessante dar um tapa na cara de alguém, assim como via em novela ou filme...
Mas é engraçado isso, porque eu sempre atraí a antipatia de algumas pessoas. Gratuitamente. É o que eu acho. Vai ver que não é.
Sou o tipo de pessoa que muita gente acha arrogante. Daquelas insuportáveis que andam por aí.
Acho, muitas vezes, que não sou desse mundo que, de certa forma, eu não em encaixo aqui.
Gosto de coisas que pouca gente gosta. Se bem que agora, até que dá. Estou tomando idade para isto.
Ando sempre ereta, gosto de roupas clássicas, uso leques, óculos escuros grandes, ando de chapéu, de guarda-chuvas fazendo as vezes de sombrinha para me proteger do sol, adoro ler, ouvir músicas que muitos consideram antigas, demodês, etc... Cozinho, lavo, passo, bordo, tive aulas de piano, de canto, sempre me interessei por regras de civilidade, por moda, artes...
Falo baixinho, não gosto de me alterar. Sou romântica...
Sei lá! Eu me acho bastante normal para mim... Não gostaria de ser outra pessoa, não!!! Hehehehe...
Mas, sem querer me fazer de vítima, eu fui bastante hostilizada algumas vezes na minha vida.
Esse episódio do tapa foi uma dessas vezes.
E, ao me pegar pensando neste assunto, eu me lembrei de algo que um pastor a quem amo demais disse certa vez sobre Cristo: Que não o aceitamos, recebemos.
Não quero - e não vou - fazer deste Blog um espaço religioso. Nem adianta que não vou. Mas, mencionei isto porque eu sempre pensei que a vida é mais ou menos assim também.
Embora pensemos que temos o controle dela, é um engano pensar assim.
Guimarães Rosa, em seu magnífico Grande Sertão: Veredas, disse: Viver, não é? É muito perigoso. Porque ainda não se sabe...
Eu tenho a impressão de que a vida, além de ser uma estrada que se desfaz atrás de nós conforme vamos caminhando, é cheia de milhares de curvas. Sabemos que elas estão lá na nossa frente. E que, provavelmente a paisagem é mais ou menos como a que estamos vendo agora. Mas, não sabemos, de fato, o que encontraremos lá no meio das curvas.
Mas, vamos para lá do mesmo jeito. Encontrei nessa curva de um ano que passou, muitas surpresas. Como aquela menina.
Diante da aparente inocência, havia o desconhecido. Um tapa me esperava.
Recebo. Mesmo sem aceitar. Porque não posso deixar de viver.
O fato de haver cometido erros, de haver enfrentado dificuldades, animosidades, preconceitos até mesmo de quem eu esperava mais misericórdia, me fez a alma arder. E me fez chorar. Mas, estou de volta ao parquinho. Tentando apenas me balançar um pouquinho.
O fato de algumas pessoas pensarem o que quer que seja de mim, não me faz ser diferente do que sou, afinal. Tampouco faz com que eu deixe de sentir ou pensar o que quer que seja.
Há um dos comentários no post passado em que um Anônimo(a) disse que eu e o meu ex-Bofe combinávamos porque eu era pretensiosa como ele.
Mas, sabe, não o acho pretensioso, e eu tampouco tenho qualquer pretensão na minha vida a não ser vivê-la.
Não tenho a pretensão de ser uma dançarina, mas AMO dançar.
Não tenho a pretensão de ser uma expert em moda, mas sou louca por roupas, sapatos e afins.
Não tenho a pretensão de pertencer à Academia Brasileira de Letras, mas escrever é uma de minhas paixões.
Não tenho a pretensão de ser uma especialista em música, mas sou apaixonada pelos sons do mundo...
Depois daquele tapa eu balancei deliciosamente naquele balanço tão simplezinho... De pés descalços na areia, olhos nos olhos com aquela menina.
Depois daquele dia, nunca mais a vi. Mas, ela deixou uma marca em mim: Não deixarei que um tapa me faça desistir da diversão.
Caio partida em cacos pelo chão. Só que lembro-me que a vida não é só minha. Assim como não é de UM alguém. Ela simplesmente é. E acontece para que a recebamos, ainda que não aceitemos os rumos que toma.
A vida é linda!!! Há milhares de balanços em cada olhar.
Os amigos, a família, os amores.
Além deles há um céu azul, há ipês, sibipirunas, paineiras, quaresmeiras, margaridas (e Rosas!!!), estrelas, lua cheia, minguante, nova, crescente. Há Vênus brilhando linda... Há noites quentes, frias. Eu tenho o meu Lago Paranoá. Minhas pérolas. Meus bichos. Meus amigos. Minha dança. Tenho meu trabalho. Saúde... Dificuldades enormes para transpor ao longo do caminho... No meio do parquinho.