sábado, 12 de outubro de 2013

Encantos

Aproveitando o ensejo, e que agora meu universo é permeado da presença inefável de uma linda criança... Me bateu uma saudade. Novamente a saudade!!! Olha ela aí, sempre tão presente em mim.
Acredito que é um modo de poder voltar um tempo, o que, fisicamente, ainda é impossível a meros mortais como eu.
Lendo a postagem anterior sobre a minha infância dos anos 80/90, eu me lembro de um tempo em que conseguia catar tantos vagalumes num breu sem fim, tanto na fazenda do meu avô, quanto depois, no sítio da minha família.
Lembro que o vidro ficava bem lotado deles e de minha mãe dizendo: Para de catar tanto vaga-lume, coitados!!! E furávamos a tampa da lata para os pobres coitados respirarem...
E os tatus-bolinha? Ah, que gracinha!!! Era tão boa a sensação de vê-los se enrolar ao nosso toque. Minhocas, então, pareciam sair da terra só para ver a carinha da gente.
Então, dia desses, parando para lembrar de fatos tão saudosos que moram lá na minha infância eu me peguei com uma saudade imensa de certas coisas.
Como, por exemplo de jambo do cerrado... Outro dia tinha alguns na fruteira da casa da minha mãe! Engraçado que, quando eu era criança eu achava que eles eram bem maiores. Enchiam a minha mãozinha e eu comia achando tão bom. No caminho da bica d'água da fazenda do meu avô eu lembro que havia um pé de jambo e era obrigatório parar e comer alguns quando tinha frutos maduros no pé. E, até hoje, para mim jambo tem gosto e cheiro de beira de rio, da bica d'água da fazenda do meu avô.
Aliás, aquele era um lugar de muitas boas lembranças. Eu era bem pequena, é verdade, mas algumas coisas me vêem à mente de modo tão bom... Ou nem tanto! Era lá que eu tinha de ver minha avó matando galinhas e meu vô matando boi para vender - ele era açougueiro!!!
Era o lugar onde meu avô tinha também uma horta. Que, na minha dimensão de criança, era enooooooooorme, pareciam muitos e muitos hectares de alfaces, cenouras, repolhos, rabanetes, coentro, etc, etc, etc. E amo a lembrança do meu avô tirando a cenoura da terra e lavando no reguinho que passava junto à horta. Como era doce e perfumada cada cenoura que ele me dava!
Também me lembro da barragem perto da casa e também dos pés de jabuticaba... Já comi muita jabuticaba no pé! E também muita manga, muita jaca... Muito doce de leite feito no fogão à lenha... Requeijão caipira e a raspinha da panela que ficava depois rendia uma farofa das mais divinésimas do mundo inteiro!!!
A casa dos meus avós paternos não ficava atrás em atrativos... Os melhores eram os primos... E, claro, meus avós!!! Sempre tão doces e gentis. Minha linda avó trazendo em uma bacia ou em uma lata de mantimentos petas e pães de queijo feitos com todo o carinho para nós. E o melhor doce de abóbora do planeta e o melhor doce de leite talhado que já comi. Nunca mais vou sentir aqueles sabores e isso me dá um pouco de tristeza... Ela já conta seus 94 anos e está com muitas saudades de seu companheiro de mais de 70 aos de convivência que se foi e agora tem esperado pelo momento do reencontro.
Bom, os primos são um capítulo à parte na minha vida. Quantas brincadeiras!!! Na casa da vó o quintal com goiabeiras, mangueiras e com o famoso - pelo menos para mim - pé de fava... Eu me impressionava com aquela faveira. Foi meu tio que plantou!!!
E brincávamos demais... Até a hora de ir embora! Pique-pega, pique-esconde, conversávamos, mexíamos em tudo e gostávamos de experimentar a cadeira de refeições do meu tio que tem rodinhas porque ele é portador de necessidades especiais. 
E tinha as minhas tias, também um capítulo à parte para mim. Gostava demais de estar entre os adultos também. 
Mas, voltando ao ar livre, hoje acho que há seres que só habitam o mundo infantil... Tipo as joaninhas. Outro dia até que vi uma. Peguei-a, coloquei-a cuidadosamente em um pequeno vidrinho sobre o piano e fiquei esperando minha filhinha acordar para lhe mostrar. Quando fui pegá-la, cadê a bichinha? Sumiu, como todo ser encantado faz. Só aparece quando quer e para quem quer! Hehehehehehe!!!
Ah, quando eu penso que joaninhas, tatus-bolinhas, vaga-lumes, grilos cantores e cigarras estão desaparecendo, eu prefiro pensar que eles só habitam o universo infantil e que dia desses minha filha vai ter a sorte de ver muitos deles por aí. Ilusão... Mas, prefiro assim. Faz com que eu me sinta melhor.
Alguns doces prazeres que ainda consigo dar a ela, como ficar descalça e sem roupinhas ao sol. Regar as plantinhas com um regador só dela, pisar a grama sem calçado, areia, mexer com terra, molhar os pezinhos...
Não há a casa do avô na fazenda e nem a casa do outro avô distante para passar os fins de semana. Todos moram perto e na cidade o que diminui um pouco as chances de achar os seres mágicos. 
Sei que o amor é o que importa. Sei que as risadas, o fato de estarmos sempre juntos e as brincadeiras é que importam. Mas, também eu sei que o que eu desfrutei é sem palavras...
O queijo fresco, os doces caseiros, o pão de queijo, as petas, os cavalos, bois, vacas, bezerros, carneiros... O jambo, a bica, o córrego tão verde e frio... Eu criança não sentia o frio daquela água do sítio do meu pai... E jamais senti medo de enroscar o pé numa cobra no meio do mato...
Simplesmente gostava dos cheiros, das cores, da diversão, do amor dos meus. Simplesmente gostava do encantamento dos vaga-lumes, das joaninhas, dos tatus-bolinha... Simplesmente as frutas eram mais doces quando colhidas e devoradas no pé. Simplesmente o doce de abóbora era mais gostoso na casa da vó...
Simplesmente eu achava a bica d'água algo tão grande e tremendo que não poderia jamais deixar de estar lá para tomar banho...
Tudo era simples... Taí... Talvez a gente, quando cresce vai perdendo a simplicidade para enxergar algumas coisas tão boas da vida. Penso que nossa trajetória nos faz distanciar de um pouco de nós mesmos. Relembrar é trazer de volta a minha simplicidade de criança e a alegria de experimentar tudo pela primeira vez. É também devolver para mim o encantamento com pequeninas coisas e trazer de volta a imaginação fértil e delicada... Mesmo assim, os seres tão abundantes na minha infância não me aparecem mais.
Resta a mim o consolo de ter visto ao menos uma joaninha quando adulta... Vermelhinha e cheia de bolinhas pretinhas... Mas, a joaninha se foi, como o tempo que já passou.
Feliz dia das crianças a vocês cuja criança voltou para lhes buscar a lugares que antes já visitou... Mas, volte para contar!!! Se vir um bichinho desses por aí, diz que a menina que eu fui, sou e sempre serei mandou lembranças!


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Assopra!

Dia desses eu assisti a parte de um documentário do Dicovery Home & Health a respeito da infância hoje em dia. Mostraram ruas nos anos 70 e 80 e as mesmas ruas nos dias atuais. Naquelas décadas eram cheias de crianças brincando, correndo, sorrindo, gritando e, atualmente, vazias. Totalmente vazias de crianças.
Sabe, não sei se concordo com as diversas opiniões e pesquisas mostradas por vários especialistas que versavam sobre o fato de as crianças não serem mais livres.
Lembrei, claro, da minha infância. Sou uma sobrevivente, segundo a mentalidade atual. Passávamos o dia na rua. Lembro que brincava de pique pega, pique esconde, pique bandeira - também conhecido por salve bandeira ou bandeirinha que, na verdade eram um galho de árvore que achávamos nem sei como - de pular corda, de elástico - essa uma brincadeira quase exclusivamente feminina, sem contar o taaaaaaaaaaanto que brincávamos nas casas de nossos amigos ou primos de casinha, de nave espacial, de super heróis e heroínas, subíamos em árvores imensas e chupávamos manga no pé, amora, pegávamos flores, fazíamos comidinhas de areia.
-"Boca de forno!"
-"Fooooooooooorno!"
-"Jacarndááááá!"
-"Dáááááááááááá´!
-"Tudo o que mandar"?
-"Fazeremos"!
-"E se não fizer"?
-"Apanharemos"!
Era assim mesmo... Tudo falado errado. Nem por isso ficamos menos cultos. Tínhamos, não obstante, os momentos de aula, de fazer dever de casa, nossos trabalhos feitos com livros e mais livros - Barsa e Mirador, lembram? - de fazer nossos cursos de inglês, piano, ballet, caratê e escambau a quatro. E brincávamos muito, até a hora do jantar, quando nossos pais lembravam que tínhamos de comer e depois dormir para ir à aula.
Cantávamos e dançávamos cantigas de roda do tempo dos escravos. "Atirei o pau no gato"... Nunca via amiguinho meu nenhum maltratar animais por causa dessa música. Gostávamos mesmo era da farra, do ritmo, do abaixar repentinamente para gritar o famoso "Mi-aaaaaaaaaaau!"
Hoje alguns pedagogos elevaram o "Boi da Cara Preta" a pesadelo da coletividade brasileira. Só me lembro de o ritmo me fazer dormir. Nada mais. Nada ficou no meu subconsciente de ruim, de medo de um boi negro. Ele nunca, nunca mesmo me visitou em meus pesadelos.
As historinhas da Coleção Disquinho - lembram trintões e quarentões, dos disquinhos coloridinhos com as historinhas do Macaco e a Velha, da Festa no Céu, Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos etc? - já vi algumas pessoas as chamarem de preconceituosas...
Gente, cadê a inocência? Onde foram parar apenas as boas intenções?
Uma das especialistas do documentário do qual eu falei perguntava: "Como poderemos construir uma sociedade de confiança se não confiamos em nossos filhos?"
E eu pensei a respeito e concluí que não é uma questão de confiança no caráter dos filhos que faz com que os pais de hoje - incluindo eu - não deixarem os filhos irem para a rua e brincar. Eu amo a minha filha e todos os pais amam seus filhos, não é possível que um pai pense: "Se eu deixar meu filho sozinho ele vai fazer besteira." Claro que não!
Acho que o tal medo sobre o qual falei no meu último post é o que motiva essas reações defensivas nos pais. Vamos analisar os fatos: Até a década de 80 ter uma televisão era caro. Bem caro. Eram aquelas TVs de botão e quase nenhum aparelho tinha sequer controle remoto. Internet então, era coisa apenas para as grandes companhias, instituições de pesquisa de grau elevado e ainda engatinhava em suas conexões mundiais. Celular? Que maravilha seria essa, meu Deus! As linhas telefônicas eram caríssimas, tão caras que, quando a telefonia foi privatizada no Brasil rendeu ações e um bom dinheiro às famílias... Ainda nos correspondíamos por cartas. E era maravilhosa a sensação de receber uma, tal era a espera da ida da carta e da vinda da resposta... Cartões postais e seus carimbos e selos... 
A comunicação era diferente, isso é fato. Outro cientista do tal documentário afirmou que, na verdade, o mundo está estatísticamente mais seguro para as crianças, por um sem número de motivos, entre eles o maior acesso à informação, à recursos de saúde, novos medicamentos, eficiência investigativa das polícias, etc.
O que eu penso, após analisar tudo isso é que justamente o novo mundo conectado é o que nos atrapalha. As notícias se espalham e, em questão de segundos, todos sabem de tudo. É espantoso! E os telejornais do Brasil que antes falavam de inflação galopante, hoje falam apenas de violência, já que a economia está razoavelmente controlada e estável. Se uma criança cai num determinado brinquedo de um parquinho, já é motivo para que as autoridades retirem aquele item de todos os parquinhos do universo. Eu me lembro de brincar e me virar de cabeça para baixo, de me pendurar e me equilibrar pelas barras finíssimas dos brinquedos e nunca me machucar. 
Claro, ganhava uns arranhões, um hematomas, mas sobrevivia e queria sempre mais. É difícil um pai e uma mãe não ficarem apavorados ao verem seus filhos em lugares que os "especialistas" reputam como perigoso para seu filho. Como é que eu vou deixar que o ser que eu mais amo e me foi entregue para que eu cuide se meta em lugares que podem ser perigosos para ele? Como é que vamos deixar nossos filhos caírem e quebrarem seus pescocinhos lindos?
Não é, portanto, falta de confiança nos filhos, mas sim a falta de confiança no mundo em que nossos filhos vivem: Bala perdida, sequestro relâmpago, motoristas bêbados, drogas em cada esquina, pedofilia, mulheres grávidas sendo mortas por nada, plásticos que, aquecidos, causam câncer, radiação solar que mata, frangos que aceleram a puberdade, sexualidade antecipada, violência gratuita, jogos alienantes, loucos atiradores... Que mundo mais louco, não?
Ainda não consegui decidir, portanto, qual é o problema de nossa sociedade atual, se é o mundo que está realmente diferente ou se o excesso de informação que nos deixa tão apavorados a ponto de criamos nosso filhos em casulos bem fechados e sob nosso olhar constante por onde quer que eles estejam - a internet também criou essa "maravilhosa" ferramenta das câmeras que se podem acessar de qualquer lugar para ver se seu filhote está são e salvo.
Só sei de uma coisa: Lamento o fato de que eu não terei como deixar minha filha brincar como eu... Poxa, não haverá outras crianças na rua para que ela possa brincar... No que depender de mim, mesmo com tanto medo de tudo o que nos cerca atualmente e com uma ferida de mãe aberta no meu coração, eu quero que ela cante cantigas de roda comigo. Que ponha a mão na areia, na terra, que pise a grama descalça, que ande descalça no chão frio de casa. Vou deixá-la feliz muitas vezes ao sentir o vento no rostinho quando andarmos de bicicleta. Quero andar com ela pela rua e deixar que ela corra - não muito, claro, que é para não esborrachar em tato asfalto. No que depender de mim eu quero que minha filha seja feliz. Mesmo que seja desse jeito tão diferente, que eu não consigo reconhecer como genuíno - mas deve ser. Afinal, o ser humano tem a incrível capacidade de se adaptar a qualquer adversidade, a qualquer diferença. Com a infância atual não deverá ser diferente.
Mas, vamos combinar: Como era bom brincar na rua e ralar o joelho de vez em quando... E eu posso dizer com isso: Sobrevivi ao Merthiolate que ardia!!! Assopra, assopra!!! Hehehehehe!!!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Coisas de mãe

Faz bastante tempo, eu olhei aqui, que não escrevo... Muitas mudanças na vida. Trabalho, filha, casa, pouco ou quase nenhum tempo para mim. Para escrever então, pffffff...
Bom, quem acompanhou minha trajetória por aqui deve ter reparado que esse blog foi inicialmente criado como uma forma de desabafo. Não podia dizer um monte de coisas, então escrevia. E passou a ser também um registro de inúmeros sentimentos que foram mudando ao longo do tempo e dos meus espaços.
Hoje, eu volto aqui como a mãe que me tornei.
Há algumas semanas uma triste notícia tomou conta dos meus pensamentos, do meu coração e eu esperei um pouco me distanciar dos sentimentos para tentar escrever algo a respeito. 
Porém quero voltar há alguns anos atrás e relembrar uma outra triste história de dor de mãe. Quem não se lembra do caso João Hélio? Nem pensava naquela época - 2007 - em ser mãe. Na verdade, até repudiava um pouco a possibilidade de o ser, mas eu fui inteiramente tomada de um sentimento tal que quase não podia suportar a dor da mãe do menino. O fato é que a morte dele doeu - e dói - meu coração e até hoje eu acho que foi o crime mais horrendo do qual eu tive notícia na minha vida.
Mas, não parou por aí... Muitas outras mães já passaram por muitas outras dores por aí e o tempo passou e eu também me tornei mãe.
Como disse anteriormente, outro crime me chocou, talvez pela proximidade de realidades. Um bebê de um aninho foi baleado durante um assalto ao carro de sua mãe. O curioso é que a criança estava no cadeirão no banco de trás e um dos assaltantes o baleou. Simples assim. O menino morreu. E uma mãe ficou sem um filho. Mais uma mãe. 
E domingo... Não tenho como não falar disso... Houve a tragédia de Santa Maria... Quantas mães sem seus filhos.
Tenho de concordar com um texto que uma amiga me enviou no Facebook e que me emocionou profundamente. Só de me lembrar dele eu tenho vontade de chorar... Há uma parte com a qual concordo plenamente: Quando uma mulher se torna mãe, uma ferida de abre em seu coração e jamais cicatriza...
Acho que só quem é mãe sabe o que é isso. Não adianta tentar entender se você não tem um filho. Não adianta.
Fiquei pensando sozinha nesses dias, juntando angústias e jogando-as aos pés de Cristo, foi o que me restou. Porque não há como fugir dos nossos medos. Minha filha é minha companheirinha e sempre que possível está comigo onde quer que eu vá. Anda, claro, num cadeirão. Tenho de colocá-la e tirá-la de lá e ficamos as duas vulneráveis. Quem nos guarda? Só Deus. Ainda bem.
Mesmo assim eu confesso a Ele todos os dias que tenho medo. E onde mais eu posso guardá-lo? Esse é o tipo de coisa que a gente não fica falando e até evita pensar. Também por medo.
Não posso evitá-lo! Só tento controlá-lo. É a tal ferida doendo o tempo todo.
Todas as mães pensam nessas coisas e  não ficam falando nelas pela mesma razão.
Não temos medo apenas das tragédias enormes. Temos medo das pequeninas também. Fico apavorada com o fato, por exemplo, de Sofia ficar pulando e pulando e pulando no sofá da sala e, em algum momento aquela corda invisível que a segura se partir e, num átimo de segundo ela cair de lá e se ferir gravemente sem poder me dizer: "Machucou, mãe", e vir correndo para eu lhe dar um beijinho que sara. Por outro lado eu não quero ser uma mãe histérica que proíbe a filha de brincar como uma criança só por medo de que algo aconteça.
Na última segunda-feira, nós a deixamos no seu primeiro dia de aula. E eu andava dizendo por aí que só choraria se ela chorasse também. Mas, nossa menina nem olhou para trás. Simplesmente ficou brincando e olhando as outras crianças chorarem. Nós - eu e Paulo - é que choramos. Uma sensação estranha tomou conta de nós que nunca havíamos deixado nossa filha num lugar estranho e onde não estaria com ninguém em quem confiamos cegamente, como nossos pais ou irmãos. Eu ficava pensando na possibilidade de ela chorar e eu não estar por perto para abraçá-la! Como isso me doeu!!!
Hoje, entretanto, eu vi a fragilidade da minha linda. Ela não chorou e não chora na escola, mas sim, se importou que nós a tenhamos deixado lá. E, num choro que não passava de jeito algum, ela apenas dizia: "Ah, mamãe!" E meu coração doeu. E eu me lembrei que nossos filhinhos não são apenas vulneráveis fisicamente. E eu me lembrei também das tantas vezes que eu joguei em Cristo o medo de ferir o coração da minha filha.
Agora meu tesouro dorme..  Eu eu me lembro que ela é um ser fora de mim... Outra pessoa que precisa viver. Essa tem sido a primeira semana de aula. Por quantos dias eu a levarei sozinha para a escola ou outra atividade? Quantas vezes eu ficarei sem notícias por horas a fio? Ela vai crescer e, um dia seguirá seu caminho, e, provavelmente ficará dias sem sequer me ligar, pois terá sua vida para resolver.
Eu a amo tão profundamente que gostaria de estender meu amor a todas as mães do mundo. Sim às minhas companheiras de dores e angústias e também de alegrias infinitas.
Sou tão grata a Deus por  tudo. Agradeço por tão grande presente para mim. Não podia ter passado a vida sem experimentar tantos sentimentos que parecem tão confusos. Tudo é muito bom e a vida e o amor fazem muito mais sentido para mim.
E peço a Ele também que conforte o coração das mães que hoje não tem mais seus filhos. Nem posso imaginar a dor de sentir seus "braços" vazios. Esse buraco que deve haver agora em suas almas. É que, quando um filho nasce, também surge em uma mãe um algo que preenche o que não era vazio. Entendeu?  Se entendeu, então você é mãe. 
E, se você é mãe, também sabe que, quando um filho nasce, nossa vida se torna algo diferente de tudo o que conhecíamos anteriormente. E sabe que muitas vezes nossos bebês chorarão sem que estejamos por perto... Mas, sabe também que um sorriso de nossos filhos é capaz de fazer qualquer dor, preocupação e medo passarem. Nada na vida pode ser melhor do que ser mãe.