terça-feira, 6 de setembro de 2016

Vamos estar falando - ops! - falar de preconceito. Do linguístico.

Quem me conhece muito bem, sabe muito bem do que gosto e do que não gosto. E sabe de mim. Mas, só vale para os que, de fato me conhecem. E posso garantir uma coisa: posso contar nos dedos de uma mão apenas quem são esses.
Pois, essas mesmas pessoas também sabem que gosto muito de documentários e não assino uma TV a cabo que não tenha muitos canais do gênero, além de canais infantis que satisfaçam meus anseios quanto à educação da minha filha. 
Ainda, sou apaixonada pelos reality shows água com açúcar do Discovery Home and Health, além do Discovery World e outros. Assisto muito, aliás, o H & H... E há uma curiosidade, também sobre mim, que pouquíssimos sabem, incluindo aqueles que sabem muito de mim... A-do-ro programas que falam de casamentos: da organização, decoração, passando pela escolha dos vestidos (amooooooooooooo O Vestido Ideal)... E eis que recentemente o canal incorporou programas brasileiros em seu cardápio. E hoje, assistindo a um deles - do qual, por sinal, eu gosto muito - algo me chamou muito a atenção. E foi um detalhe que, para alguns passaria despercebido, ou não. 
Sou professora de Português e Espanhol. Mas, sou apaixonada pelo Português. Suas particularidades, sua beleza, sonoridade, sua arte, sua história...
Gosto de dar aulas sobre ele. Ensinar a escrever e entender o que se escreve. Tentar, ao menos, despertar paixões pela arte contida na literatura... Trazer sentido para as regras gramaticais - essa parte, nem não gosto muito.
No primeiro ano do Ensino Médio ensinamos os fundamentos do idioma. Como ele se formou, historicamente falando, como se difundiu, o que é língua, o que é linguagem, e a tal da VARIAÇÃO LINGUÍSTICA.
E, na toada da tal da variação, nasceu também o preconceito. Pasme você que está a ler esse modesto Blog em que desabafei e desabafo sobre os meus sentimentos em forma de palavras, que preconceito pode ter muitos nomes, inclusive pode viver no meio das humildes letrinhas que formam nosso vernáculo.
Eis que, depois de um gostoso soninho da tarde que eu amo, assisto a um daqueles programinhas so sweet que tanto adoro. Um brasileiro chamado "Negócio dos Sonhos", um reality que mostra o cotidiano de duas sócias de uma empresa chamada Marriage, de São Paulo, um negócio especializado em cerimonial de casamentos.
Depois de uma agradável visita à maior metrópole do país, eu concluí que são prestadores de serviço sem igual. Pessoas extremante competentes, sabem fazer qualquer coisa como se sempre houvera sabido fazê-lo.
E eu sempre admiro a competência extrema das sócias, de como elas se desdobram para que tudo saia perfeito para os noivos. Como cuidam dos mínimos detalhes de forma que a preocupação dos nubentes seja a mínima possível. E, lá na empresa delas, depois que a recepcionista as deixou, outra foi contratada. A moça em questão havia sido operadora de telemarketing... Preciso dizer mais? A coitadinha era dona de um gerundismo sem tamanho. Era o primeiro dia dela na Marriage. 
Um noivo liga, ela atende e, no meio de tantos "vamos estar cuidando", "vamos estar fazendo", etc, a ligação cai. Ela comunica o fato às sócias e, no final do dia, ao fazer o clássico balanço do primeiro dia da recepcionista, uma das sócias relembra a ela o episódio do noivo cuja ligação caiu. E ela disse o noivo tinha ligado no celular dela depois e que a ligação não havia caído, afinal, e disse que o rapaz não teve paciência porque a nova recepcionista estava falando como se fosse uma operadora de telemarketing. Ele disse à dona da empresa que desligou o telefone!
De fato... Ela usava muito o gerundismo. Mas era o que ela era! Então, pensei tanto no tal do preconceito linguístico.
A empresa em questão é especializada em clientes de alto padrão, cujas expectativas são tão altas quanto o dinheiro que investem. Nada mais justo. Mas, o que mais me chamou a atenção no episódio, não foi o fato de a criatura não gostar de gerundismo. Eu também não gosto. Aliás, detesto! O que me incomodou foi a grosseria de ter batido o telefone na cara da pessoa. Foi a indelicadeza de sequer dizer: "ok, querida, mais tarde eu ligo para obter maiores informações", ou de não ter pedido para falar com uma das sócias. Mas, foi a deslealdade de ligar depois no telefone pessoal da dona da empresa para falar mal da garota. 
O que ele estava pensando? Imagino que pensava que não tinha tempo, nem paciência para aquilo. 
Sabe, se eu fosse a dona, eu diria a ele que ele agiu muito mal. Que ela estava em seu primeiro dia, que estava aprendendo, que estava se dedicando - no gerúndio, sim, porque são atos que se fazem e se aperfeiçoam eternamente -, que superaria aquelas dificuldades. E diria também que ele poderia procurar outra empresa porque ali ela não gostava de lidar com riquinhos histéricos que não têm sequer paciência de tratar com civilidade uma pessoa que fala fora dos padrões DELE.
Essa é a MINHA opinião. Vai ver que é por isso que sou professora e não uma empresária de sucesso. Vai ver.
O preconceito linguístico me dói profundamente na alma. Eu sinto uma tremenda injustiça nesse ato. Em como alguém pode ser tão cruel com pessoas que não são iguais a ele. Que não tiveram as mesmas oportunidades. Garanto que a recepcionista estava dando o melhor de si para atender com o máximo de educação aquele noivo, e estava sendo o mais prestativa possível. 
Não suporto falta de gentileza, mesmo que disfarçada em uma educação impecável. Muitas vezes eu ouço por dia o tal do "nóis vai", o famoso "libera nóis, professora"... E tento ensinar com muita ternura, a variedade padrão. Tenho ensinar que eles terão mais portas abertas quando falam a variedade culta da língua. Que ela pode ser um instrumento de dominação, que ela pode trazer ganhos, mas também pode ser cruel e assassinar expectativas e sonhos.
Os detentores do conhecimento, aqueles que fazem e executam as leis escondem o idioma do povo, escondem, portanto, seus direitos, escondem deles as possibilidades de melhorar sua condição social e, portanto, econômica.
É, também, por causa dessa dominação que eles se escondem por trás de mordomias e privilégios e dizem o que devemos fazer ou não. É por causa disso, também, que fazem suas leis obscuras quer ferem os direitos dos mais humildes, mas eles não têm como se defender, porque simplesmente lhes é negado o acesso ao instrumento que faz as normas: o idioma. Mas, não aquele que se usa para simplesmente se comunicar, e sim aquele se se utiliza para discriminar.
Não estou, veja bem, criticando as donas da Marriage, muito pelo contrário. Achei louvável o fato de terem chamado a Jaque - esse era o apelido da menina - e terem conversado com ela e até terem brincado com o fato de que ela era uma sujeita cheia de gerundismos. Ela vai conseguir, eu sei. E eu acompanharei sua melhora. Sabe por que? Porque sei que ela se esforçará, que ela vigiará e que ela vai superar o que por anos foi inculcado em si. E o treinamento que ela recebeu foi esse. Que o "vou estar passando", "vou estar fazendo", "vamos estar ajudando" é educado e gentil. E isso, para mim, é o mais importante. Embora, com gentileza eu lhe ensinasse que não é o culto. Que os clientes esperam a mesma cultura que eles têm de que os servem.
Eu queria muito que aquele noivo se envergonhasse de ter desligado o telefone na cara da Jaque. Queria demais que ele tivesse ensinado a ela o que era correto. Sabe, eu já fiz isso. Eu pedi licença para uma atendente e perguntei a ela se poderia lhe ensinar algo. E ela disse que sim. E depois me agradeceu muito. Acredito que ela tenha sido sincera. Acredito mesmo.
E eu acredito que as pessoas rudes também podem ter cura. Embora isso seja bem mais difícil. 
Meus sinceros reconhecimentos à Marriage por sua dedicação e espero que elas tenham - mesmo no meio da sua falta de tempo - muita paciência com a Jaque. Ela merece, só porque se predispôs a aprender. E tomara que consiga. Estou torcendo por ela.

domingo, 30 de agosto de 2015

Quando a dor...

Quando a dor da alma se transforma em dor física, a gente faz o que? E quando a dor física é tão profunda, ou tão cotidiana que ultrapassa as barreiras metafísicas e vai parar lá na alma?
É... Procurar o médico da alma e o do corpo também.
Tenho pensado muito sobre essa coisa de dor aqui, dor ali, dor acolá. E onde está a fronteira entre o corpo e a alma - o que muito chamam de psiquê, coração, sentimentos etc.
Já li muito sobre o que as culturas orientais dizem a respeito disso tudo. O que acontece comigo, por exemplo, é que sinto dores na coluna há pelo menos uns 10 anos. E há sete anos eu "travei" a coluna lombar e de um modo bem vexatório, diga-se de passagem.
Numa agradável, porém conturbada viagem ao Rio de Janeiro - que parece que é o lugar onde minha alma gosta de ir, teimosamente, pousar - eu havia acabado de fazer a "toillete" matinal e havia tirado a roupa de dormir para colocar trajes de banho porque ia para a praia. Bom, resolvi me abaixar para sacudir a toalha de piso e o fis sem flexionar os joelhos, como se estivesse fazendo um alongamento da parte superior das pernas e da lombar. Sempre fiz isso, mesmo porque sou muito flexível, mas dessa vez não consegui levantar. Sem voz, chamei quem estava mais perto com um fio de forças me me restavam.
Fiquei toda dura. Passei uma semana sem poder andar direito. Precisei de ajuda todo esse tempo para me vestir, tomar banho, deitar na cama... 
E foi então que percebi que as dores da alma ultrapassaram meu corpo. Dizem que para os chineses as dores na coluna falam para a gente que não estamos suportando determinadas situações. Ali eu vi que foi assim mesmo... 
Mas, o fato é que eu já havia suportado muitos sentimentos ruins por muito tempo e uma notícia nada agradável me fez perder a capacidade de me sustentar.
Uma vez danificado o corpo, infelizmente, não há como consertar. Eu não sabia, mas já estava com uma lesão em um disco. Que se agravou com o tempo... Virou uma hérnia de disco, entre as muitas que foram diagnosticadas recentemente. 
E aí, tudo se torna um círculo vicioso corpóreo-sentimental: A gente sente tanta dor que se sente incapaz de realizar as mais simples tarefas sem sentir desconforto. E aí acaba se vendo dependente de medicamentos e nunca mais pode levar uma vida sem exercícios - coisas que eu detesto.
Compreender-se, entretanto, é o primeiro passo para que levemos as dores de forma mais consciente.
Muitas vezes outras pessoas causam em nós feridas que não saram mais, não cicatrizam. 
Comigo aconteceu que uma ameaça à minha vida e à vida da minha filha foi como um tiro emocional no meu coração. Parece que meus olhos se abriram para todas as possibilidades ruins que poderiam acontecer com ela. E não só com relação a assaltos e acidentes automobilísticos. Mas também nas mais simples ações cotidianas. Nunca mais eu tive paz. E passei a ter pensamentos obssessivos incontroláveis pela razão que tentava desesperadamente se sobrepor. O resultado disso por mais de um ano foram mais três hérnias de disco que estão se formando, agora na cervical. Outro resultado de uma dor na alma insustentável. E, como a coisa estava sendo formada no cérebro mesmo - a química ficou alterada - minha cervical não sustentou mais a tensão entre a razão e a emoção negativa da possibilidade de perder a minha filha... E isso se estendeu a todos os que eu amo. E minha aversão à solidão ficou latente outra vez.
Estava lutando contra isso. Perdi a luta. Fiquei toda travada novamente. E a cervical doente adoece um monte de outras coisas: os ombros, os braços, as mãos e a cabeça também. Enxaquecas unilaterais insuportáveis estavam me atacando.
Médico, medicamentos, tratamento e a luta para não parar de trabalhar. E um remédio estranho, que regulou a química cerebral e me deu condições de perceber tudo isso aí.
Quero muito é dizer a quem está suportando dores na alma por tanto tempo, que procure ajuda. A minha ajuda veio, mas eu precisei procurar por ela. Eu já estava andando toda torta. Precisava mesmo me ajustar. 
Fibromialgia, pressão alta, taquicardias, enxaquecas, asma... Tudo isso é fruto de sentimentos mal resolvidos. Resolva-os, de um jeito ou de outro. Não é possível que não possamos admitir nossos problemas. Isso é resultado de uma sociedade egoísta: Ninguém quer saber se o outro sente dores e quais as dores dele. Ninguém quer saber. Porque temos de mostrar resultados. É bom ver uma pessoa sorrir ao invés de parar e ouvir o que ela tem a dizer. 
Nos tornamos a sociedade dos pseudo perfeitos, dos que trabalham e não reclamam, das boas mães, dos bons pais, das crianças alfabetizadas cada vez mais precocemente. Dos corpos perfeitos, dos cabelos de comercial de xampu, dos dentes branquinhos e sem cárie, dos casamentos perfeitos, da medicina uber avançada, que não admite a morte... E tudo isso é descartável.
Se o trabalho não satisfaz, troca. Se não é boa mãe ou bom pai, põe na terapia, deixa o psicólogo, o psiquiatra, o pedagogo, a escola resolver; se a criança não sabe diferenciar as consoantes das vogais aos 4 anos de idade, chama a mãe, o pai, o orientador, o psicólogo da escola para a gente tentar resolver, afinal, ela tem de ser perfeita; se os dentes não são mais brancos, faça branqueamento e pare de fazer o que ama: não tome café, nem vinho, não coma chocolates, nem molho shoyu... Se o corpo está fora dos padrões, faça bariátrica, pare de comer, faça exercícios, afinal, mesmo grávidas, temos de ter barriga travada; se casou e não há mais a mesma frequência no sexo, se o coração não acelera mais, se os encontros acabaram, se o parceiro não tem tanto tempo mais por causa do trabalho, se, se, se, separa... se a morte está chegando, vamos protelar até o último fio de vida que restar.
Acho isso tão difícil de suportar. Porque não somos perfeitos. E é a nossa imperfeição que nos faz deliciosamente humanos. É natural ficar irritado, é natural achar tudo chato, é natural não saber tudo, é natural ser imperfeito!!! 
A coluna, o coração, o cérebro não tolera nossa perfeição. Nosso corpo foi feito para  a assimetria. Foi feito para o riso frouxo e para o choro desmedido. Para a ação e para o repouso. Para o frio e para o calor. Para dormir e para acordar.
Mas, não é fácil admitir isso. Não é fácil admitir nossos muitos medos, nossos pavores, é difícil admitir que os monstros que habitam nossas mentes uma hora ou outra tomam conta dos espaços e nos tiranizam. 
Não é fácil chorar quando se tem vontade, Não é fácil ficar sozinho, dizer que precisa ficar quieto, sem ouvir - "mãããããããe"! Não é fácil viver...
Mas é bom viver. É tudo o que queremos. 
Porém, quando a dor ultrapassa as barreiras, bom seria poder gritar. Mas, a gente nem sempre pode. E, nessa impossibilidade, que bom seria que a imperfeição tomasse o devido lugar na nossa existência e viesse para ficar. Só que não podemos fugir da sociedade, da convivência. Daí, o jeito é procurar ajuda. E procure! Nada mais humano que se declarar incapaz: é o primeiro passo para alcançar a saúde do corpo e da alma.

domingo, 16 de agosto de 2015

Reduzir, reciclar, reutilizar, dar novo valor... Produzir!!!


Há algum tempo venho pensando sobre o quanto geramos lixo... Demais. Essa semana mesmo, enquanto descascava legumes e verduras aqui em casa, lamentava por não ter uma composteira e uma horta para usar o adubo gerado por ela. E ficava impressionada com o fato de que nós 3 aqui em casa, enchamos, em duas semanas - às vezes menos -, duas lixeiras grandes de lixo seco.
Ontem mesmo estava conversando com o meu marido sobre como nossos conceitos têm sido descartáveis, como o ser humano perdeu seu valor e como não pensamos quando consumimos, exatamente, no nosso valor.
No Facebook mesmo, a gente vê centenas de páginas de proteção animal e quase nenhuma para causas humanitárias. A comoção por um leão abatido covardemente é maior do que a comoção por milhões de seres humanos que morrem todos os dias de fome, doenças provocadas por falta de higiene, guerras...
Quem me conhece, sabe muito bem que eu AMO animais, mas acredito que os valores se inverteram. Quando eu penso, por exemplo, que o lucro está acima da responsabilidade pela saúde, eu tremo de medo. E eu estava pensando em como eu tenho criado minha filha. Quero que ela seja uma pessoa muito melhor que eu e que se preocupe com tudo isso muito antes de mim. Agora!!!
Mesmo sem saber, meus pais nos criaram com o máximo de alimentos orgânicos possível e com um conceito de sustentabilidade gerado por comportamentos herdados havia gerações. Como assim?
Bom, já começa que eu me lembro bem de comer cenouras tiradas diretamente da terra pelo meu avô, que ele mesmo plantava no sítio, e eram lavadas em água do riacho desviado para a rega da terra. Galinhas do terreiro, gado que pastava livremente, em capim plantado, mas que nunca recebia agrotóxicos. O milho da ração e da silagem também eram plantados ali. Essa era a carne que eu comia. 
Na casa da outra avó, doces de frutas - mamão do quintal, abóbora da feira, goiaba do quintal também - doce de leite, peta, pão de queijo e biscoitos feitos em casa... 
Corria na rua, sobia em árvores e comia frutas no pé. Andava descalça na terra, vivia abraçada com cachorros e gatos... E era saudável. Alérgica e asmática, mas saudável - tratada com homeopatia, entrei em remissão da asma e só tive novas crises depois de adulta o que, graças a Deus, há mais de um ano não acontece mais -, e feliz, muito feliz.
Na minha época não havia transgênicos e uso abusivo de agrotóxicos e adubos químicos. Quase não se falava de câncer. Estou assustada como tenho ouvido falar dessa doença e em pessoas muito próximas.
Eu via passar na rua a figura do garrafeiro, a pessoa que comprava os cascos retornáveis de refrigerante e outras bebidas que já estavam mais deteriorados. Ele os vendia. E nós vendíamos para ele. E buscávamos as bebidas no comércio levando os famosos cascos em sacolas que hoje são chamadas de "ecobags"... 
Nossas roupas eram herdadas dos irmãos mais velhos ou dos primos mais velhos e minha mãe sempre aceitou móveis que outras pessoas não queriam mais. Meu berço foi de outra criança mais velha da família, o moisés havia sido da minha prima. Depois, minha cama e da minha irmã foram de primas mais velhas cujos quartos foram redecorados e até hoje eu tenho aqui na minha casa móveis que foram da minha mãe, de tios e de algumas outras pessoas. 
Recentemente descobrimos os leilões onde podemos comprar a preços bem camaradas móveis e objetos de segunda mão que não poderíamos comprar novos. Além disso, amamos feirinhas de usados e antiguidades, frequentamos bazares, e eu adoro brechós. Levo roupas que não quero e acabo trocando por roupas para mim e para minha filhotinha.
E agora estou determinada a melhorar mais ainda meus hábitos. Vou comprar minha composteira e fazer minha horta, e vou tentar reduzir o lixo seco mais ainda. 
Já estou pesquisando a respeito de descartáveis biodegradáveis para o aniversário da minha filha - que quero depois reutilizar como sementeira das hortaliças da minha horta e para o uso da minha própria composteira depois - e vamos fazer algumas coisas para não gerarmos tanto lixo: guardanapos de tecido, e utilizaremos alguns utensílios laváveis.
Aqui na minha cidade mesmo já chegou uma loja bacana de produtos a granel, o que nos ajuda se levarmos nossos próprios potes, e agora vamos fazer algumas outras coisinhas também: aproveitar jeans e camisetas velhos para fazer pequenas sacolinhas para levar para a feira ou sacolão.
Aí você pensa: mas, os utensílios laváveis também poluem porque vai precisar de água para lavar e de detergente etc... Mas, o lixo polui os mananciais, faz com que se utilizem combustíveis fósseis - já que para levar o lixo até o lixão usam-se caminhões.
Utilizando a água com parcimônia, a gente consegue minimizar os efeitos do uso dos laváveis. 
Hoje, a tecnologia também pode nos ajudar. Máquinas de lavar louças utilizam menos detergente e água e pouca energia - se a gente deixar encher de verdade - e as máquinas de lavar roupas modernas utilizam menos sabão, pouquíssima água e menos energia. Aqui em casa eu junto bastante roupa para utilizar a capacidade máxima da máquina. Assim, também economizo na conta de luz.
Também criei o hábito de fazer bastante arroz de uma vez e congelo o que não vou usar no momento. Para descongelar, prefiro deixar um tempinho fora do freezer para descongelar sem precisar usar muito tempo o microondas.  
Com o feijão, a mesma coisa. Cozinho o pacote inteiro de uma vez, e congelo o que não vou usar na hora. Depois é só temperar e o feijão vai estar novinho sempre - quem não gosta do feijão novinho?
Como gosto muito de comprar livros para a minha filha, eu quero agora lançar mão de trocas. Não conheço nenhum clube de trocas aqui na minha cidade, mas vou pesquisar.
E eu, como gosto muito de sebos, vou frequentá-los mais. E levar livros que estão aqui encalhados. Já doamos alguns para uma biblioteca de funcionários terceirizados de um tribunal. E isso também é bom...
Queria abandonar mais o carro, mas isso ainda não é possível. Se eu pudesse, compraria um carro elétrico!!! Hehehehehe... Ainda não dá. No máximo uma bicicleta elétrica, só que aqui é muito perigoso ainda...
Pensando bem, até que tenho alguns bons hábitos, não é? Mas, há muito caminho e mudanças de hábitos pela frente. 
Quero ainda ver a vida com um pouco mais de valor e pensar e repensar nas escolhas que faço para mim e para minha família. Sei que não vou conseguir deixar de gerar resíduos como algumas pessoas têm conseguido, mas vou fazer de tudo para alcançar o maior êxito possível.
E eu os convido a criar uma rede de amigos para formarmos hábitos mais saudáveis e sustentáveis? Que tal, hein?

sábado, 8 de agosto de 2015

Aos Pais!!!

       

 Casei-me bem jovem da primeira vez. Passei nove anos e meio casada. Nos primeiros momentos e anos, sim, pensei que seria mãe logo. A pessoinha tinha até nome escolhido. Minha mãe sonhava com isso. E eu também. Mas, ausências e tratamentos nada cordiais comigo fizeram com que o sonho se calasse dentro de mim em pouco tempo. E, confesso que o comodismo e a praticidade de não se ter filhos falaram mais alto. E, também, ao pensar que criaria minha cria praticamente sozinha por uma boa parte da semana e relativamente longe da família me desanimavam mais ainda.
      Sempre tive a noção de que meu pai, mesmo longe da gente, trabalhando infindáveis horas por dia e viajando muito, era muito presente. Primeiro porque todos os dias, sem falta, ele ligava pra saber como havia sido a manhã na escola, se eu já havia almoçado, se tinha dever de casa... O que eu havia comido. Mais tarde, se não houvesse reunião, ligava outra vez. Segundo, porque logo entendi que o tempo em que estava fora trabalhando era tempo meu: para me dar comida, escola, roupas, casa confortável, viagens... Terceiro porque sempre senti tanta alegria quando ele estava por perto!
       Não acho que seja a presença física da pessoa signifique que ela está presente. Muitas vezes ela estar ali pode trazer mais solidão do que se imagina. Era assim que eu me sentia. E eu queria, no mínimo, um pai como o meu para os meus filhos. E eu sabia intimamente, que não teria isso.
Mas, confesso que não sentia falta da maternidade, era algo que não me incomodava, em absoluto.            Com relação a isso eu era muito bem resolvida. Acho até que o motivo disso é que sou uma pessoa que quando decide algo, não volta muito atrás para rever essa decisão.
       O fato é que o tempo passou e, separada e perto dos 30 anos, eu me vi com vontade de ser mãe outra vez. Nasceu assim, devagarinho e eu, nada acostumada a fazer isso, voltei no tempo e resgatei o desejo que engavetei com tanto cuidado. E outro sonho chegou: o de dar um pai para a minha vontade adormecida. Não procurava por ele, mas ele me achou!!!
      E, surpreendentemente, eu achei um amigo, um marido e um pai, quase tudo ao mesmo tempo!!! E nasceu Sofia... E muitos sentimentos nasceram junto: amor incondicional, expectativas de futuro, medo, coragem, neuras... E muita, muita gratidão.
      Tudo isso aí só pra dizer que sou grata a Deus pelo pai que me deu, um pai espetacular, carinhoso, de carinha às vezes rabugenta, mas de coração super mole, o pai provedor, o pai trabalhador, o exemplo. E o avô que já surgiu com meu primeiro sobrinho há 27 anos e que foi se aperfeiçoando com o passar dos anos e hoje é o xodó da minha pequena. E sou grata a Deus pelo marido que eu ganhei que primeiro foi o amigo – e ainda é meu melhor amigo –, meu amor, meu namorado e o pai que superou meus sonhos e expectativas. O pai que brinca, o pai presente, paciente, orgulhoso, lindo, dedicado a dar o melhor, o pai trabalhador – ops... com o trabalho dos sonhos de qualquer mortal – o pai que fala fino pra ser a amiga da Barbie, o pai que conserta tudo, o pai que supera suas próprias dificuldades pela família. O pai que é excelente filho, o pai que é o irmão maravilhoso. Aquele que é admirado por todos os que o conhecem.
       Nesse dia dos pais, quero parabenizar a todos os pais por tudo o que são. Pelos exemplos incontáveis de amor e dedicação, pela vontade de serem sempre melhores. Deus colocou sobre vocês uma grande responsabilidade: A de espelharem a Ele mesmo. Saibam que tudo quanto fazem dará aos seus filhos a perspectiva de quem é Deus. O meu pai me ofereceu a noção de um Deus justo, mas também compassivo, bondoso, amigo, leal, misericordioso e cheio de Graça. E minha filha – pela Graça de Deus – terá a mesma noção, tenho certeza!!!
       A vocês, queridos, minha honrosa gratidão!!! Aos avós que tive, aos tios queridos , meus primos que são pais, meus amigos, ao meu pai, meu marido, enfim, a todos aqueles que têm a responsabilidade de formar seres humanos com caráter firme.

    Feliz dia dos pais!!!

sábado, 30 de maio de 2015

Normal... Tudo normal.

É... sou uma mulher bem normal.
Pari. E isso me faz mais normal ainda. Meu corpo não me orgulha mais. E nada mais normal que isso. Hoje, aqui do alto dos meus 35 anos - e lá se vão alguns anos desde a primeira publicação - muita coisa mudou. 
O tempo foi a primeira coisa que sumiu de mim. E todas as minhas emoções, que antes eu resolvia escrevendo, agora eu tenho de resolver de qualquer jeito dentro de mim e no silêncio lacrimoso de noites mal dormidas e pensativas...
Sentindo uma enorme falta dos espaços que as palavras preenchem em mim. Uma forma de me ver por dentro externada aqui, em formas das letras e de seus sons, materializando no verbalismo puro e simples o universo verbal a que tenho tido contato apenas nas aulas de português, em sua gramática normativa, extenuante e cotidiana que me sufoca, muitas vezes. Para uma professora do idioma - normal. Muito normal.
E muito amor surgiu. Muito. Minha menina cresce, e junto com cada célula sua que se multiplica o amor cresce em igual proporção. A textura da pele dela é decorada pelo meu cérebro milímetro a milímetro, o som da sua voz, cada um dos cachos de seus cabelos, os grandes olhos de jabuticaba, o cheirinho que ainda é de bebê, quase já de uma criança, aquele cheirinho doce e acre ao mesmo tempo... A forma de seus pezinhos, o toque de suas pequenas mãos... Tudo nela me inspira louvor e agradecimento a Deus. E amor. Muuuuuuuuuuuuuito amor. Sou mãe, então... Normal!
Mas, o medo apareceu. Medo de morrer. Medo de acontecer algo comigo ou com o pai dela e minha pequena ficar desamparada. Medo de perdê-la, ou que ela perca o melhor da vida. Medo - que tento controlar - de algumas brincadeiras, das corridas dentro e fora de casa, e a noção perfeita da fragilidade da vida. Toda mãe é uma apavorada. Normal.
Engordei. Fiquei mais cansada. Os cabelos estão embranquecendo, e tudo - tudo mesmo - está a favor da gravidade... Muito eufemismo pra falar das pelancas. Sem falar na celulite. Nas dores nos pés, na coluna, no pescoço, nos braços, nas pernas... Tudo dói. Até o couro cabeludo, muitas vezes. 
Os seios... Ah, os seios... Que um dia amamentaram minha filha, agora pesam. Pesam muito. E, aos meus olhos, envelhecem, dão ar de matrona - quase a mãe natureza - incomodam. Não é qualquer roupa que posso vestir. Tudo tem de servir e ficar bom nos seios para eu não ficar vulgar. 
Não posso reclamar... Não gosto de malhar e descobri que gosto muito de comer... Uma duplinha bombástica!!! Quando não se nasce com boa genética, bau-bau... Engorda-se mesmo. Normal... Aprendi que algumas boas coisas da vida são assim... Engordam, mas são boas.
A grana anda curta. Cada vez mais curta. A vida de adulto é muito difícil... E, além do mais, a economia está estranha... Vemos índices de inflação desproporcionais ao preço das coisas nos supermercados. A esperança de comprar um imóvel morreu no coração de muitos brasileiros - pelo menos por algum tempo. Normal... Quase normal, mas eu não entrarei no mérito da corrupção porque aí o assunto renderia. Normal também. Sou brasileira e, como tal, sei de política como ninguém. E - quase - acredito que moro no pior país do mundo.
Meu marido - como quase todos os homens - está ficando mais bonito. E mais cheiroso. E mais interessante. Seus cabelos grisalhos são charmosíssimos! E gosto cada dia mais dos momentos em que estamos juntos. Ou apenas perto. Gosto das nossas conversas e do jeito que ele me escuta com tanta paciência. A cada dia eu o amo e admiro mais. Mais ainda sabendo que ele me atura, nessa loucura que é a minha vida. Normal... Ou pelo menos deveria ser, né??? Que o amor seja cultivado e regado todos os dias.
Meu dia-a-dia é  como de muitas mães e mulheres... Trabalho, casa, escola de filho, busca filho e, no meu caso, o trabalho de casa - do trabalho -: Corrigir provas, redações, passar notas, conteúdos, preparar aulas... Normal, normal. Tudo bem normal.
Mas, sabe, a vontade de sentir, a vontade de saber, a vontade de conhecer cada vez mais é algo extraordinário. E a vontade de querer mais de tudo o que eu acabo de ver, me faz saber que o normal talvez seja o melhor da vida. Porque a verdade é que aquilo que tantos chamam de rotina - e que até apregoam por aí que destrói relacionamentos - é uma benção de Deus.
Nesses dias normais, nessas atitudes corriqueiras eu vejo a mão de Deus, eu vejo muito amor, e vejo toda a gratidão. E dou mesmo graça por tudo, mesmo as dificuldades que me fazem aprender tanto. Nos amigos tão preciosos, as pessoas que, mesmo depois de muito tempo sem se ver e sem se falar, abraçam e riem como se ontem mesmo tivessem lhe visto. Isso é tão bom e extraordinário. Isso é tão maravilhoso... Cada dia de sol, cada dia de chuva ou cada noite estrelada ou entardecer de rosas e lilases é algo sem par... E digno de ser aproveitado.
O corpo "estragado" abrigou um bebê, o metabolismo ficou mais lento, mas eu não voltaria aos vinte ou vinte e poucos anos. Cada dia da minha vida é um presente e cada pessoa que faz parte desses é igualmente amado.
Isso tudo é normal... E o normal é extraordinário. Extraordinariamente normal...

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Perfume

É bem possível que você ainda use o mesmo perfume. É possível também que qualquer pessoa que passou por sua vida, quando sentir o seu perfume, lembre-se de você. Do som da sua voz, da sua imagem a sorrir ou a chorar, preocupado, destemido, irritado... É bem possível que nesse momento todos os momentos vividos venham à tona, como um náufrago que acaba de saltar do barco que afunda e, num átimo de segundo – só o tempo de aquele cheiro familiar chegar às suas narinas e inundar seu corpo e cérebro de sensações – tudo, tudo o que viveram e o que deixaram de viver também foi revivido.
É bem possível que eu também use o mesmo perfume. E que qualquer pessoa que também me conheceu se lembre de mim.
Mas, eu sei, a ciência sabe, a filosofia – mais que ciência – que ninguém, com o passar do tempo é mais o mesmo. Não somente pelo que nossas células fazem, mas pelo que nosso interior sabe. Não somos os mesmos e nada é igual. Nem o seu cheiro. Nem o meu. Nem nossas lembranças, nem nosso passado, nem nosso futuro. Muito menos nosso presente.
Quem pode saber o que seria se? Quem pode prever o talvez? Quem pode intervir no que não houve e jamais haverá? Ainda que seu perfume seja o mesmo, ainda que o meu seja igual, o que deixou de acontecer... Já era! E o que já foi não pode ser mudado.
Qual o aroma do seu cheiro? É aroma de aconchego? É aroma de paz? É aroma de desassossego? Aroma de lembranças? Seu cheiro lembra o que? Das pessoas que você fez chorar? Das pessoas que o abraçaram? Dos lugares em que esteve? Com quem?
Um cheiro pode ter mil significados para você. E, talvez, seja apenas resquício de uma vida que poderia ter sido e não foi.
Meu cheiro, eu tenho certeza, é de coragem. Tive muito medo de viver. Mas, muito mais medo ainda de não viver. Por isso resolvi que muito mais tinha a perder se não desse o primeiro passo rumo ao abismo. Caí... Mas, quando percebi, eu tinha asas!!! E voei! Hoje estou no ninho sossegada, mas não apegada. Ainda posso voar e ser feliz sempre, assim como sou feliz sempre na segurança do meu ninho!
Meu cheiro é de dor e de alegria misturada. Meu cheiro é de amor e ressentimento. De mar e de terra. Meu cheiro é o da minha casa. Da minha cama. Do meu jardim e das ervas que eu planto. Das roupas que eu sujo e das que eu lavo. Do meu marido. Da minha filha. Das amizades duradouras e das que se foram.
Meu cheiro é de família e de amores que já não são. Mas, que me fizeram. Pode ser que você goste do meu cheiro. Ou que já tenha gostado dele. Não importa. Ele é meu. E, ainda que eu mude meu perfume, ele ainda será meu. Porque essência é o cerne, aquilo que se esconde onde não se percebe.
Perfumes podem lembrar a saudade que temos. E também podem libertar lembranças já esquecidas. Têm poder de nos transportar no tempo e levar-nos aonde jamais fomos. A essência da vida... Que segue, que rompe barreiras ou que as coloca no caminho...
Tudo isso em um perfume.
De que? Sei não... Só sei que meus pés saíram do chão... E, de repente, estava onde já quis e não quero mais estar. Porque os novos cheiros, os novos perfumes da minha vida me fazem seguir à diante, mesmo que olhe um pouquinho para trás para admirar a paisagem!!!

sábado, 12 de outubro de 2013

Encantos

Aproveitando o ensejo, e que agora meu universo é permeado da presença inefável de uma linda criança... Me bateu uma saudade. Novamente a saudade!!! Olha ela aí, sempre tão presente em mim.
Acredito que é um modo de poder voltar um tempo, o que, fisicamente, ainda é impossível a meros mortais como eu.
Lendo a postagem anterior sobre a minha infância dos anos 80/90, eu me lembro de um tempo em que conseguia catar tantos vagalumes num breu sem fim, tanto na fazenda do meu avô, quanto depois, no sítio da minha família.
Lembro que o vidro ficava bem lotado deles e de minha mãe dizendo: Para de catar tanto vaga-lume, coitados!!! E furávamos a tampa da lata para os pobres coitados respirarem...
E os tatus-bolinha? Ah, que gracinha!!! Era tão boa a sensação de vê-los se enrolar ao nosso toque. Minhocas, então, pareciam sair da terra só para ver a carinha da gente.
Então, dia desses, parando para lembrar de fatos tão saudosos que moram lá na minha infância eu me peguei com uma saudade imensa de certas coisas.
Como, por exemplo de jambo do cerrado... Outro dia tinha alguns na fruteira da casa da minha mãe! Engraçado que, quando eu era criança eu achava que eles eram bem maiores. Enchiam a minha mãozinha e eu comia achando tão bom. No caminho da bica d'água da fazenda do meu avô eu lembro que havia um pé de jambo e era obrigatório parar e comer alguns quando tinha frutos maduros no pé. E, até hoje, para mim jambo tem gosto e cheiro de beira de rio, da bica d'água da fazenda do meu avô.
Aliás, aquele era um lugar de muitas boas lembranças. Eu era bem pequena, é verdade, mas algumas coisas me vêem à mente de modo tão bom... Ou nem tanto! Era lá que eu tinha de ver minha avó matando galinhas e meu vô matando boi para vender - ele era açougueiro!!!
Era o lugar onde meu avô tinha também uma horta. Que, na minha dimensão de criança, era enooooooooorme, pareciam muitos e muitos hectares de alfaces, cenouras, repolhos, rabanetes, coentro, etc, etc, etc. E amo a lembrança do meu avô tirando a cenoura da terra e lavando no reguinho que passava junto à horta. Como era doce e perfumada cada cenoura que ele me dava!
Também me lembro da barragem perto da casa e também dos pés de jabuticaba... Já comi muita jabuticaba no pé! E também muita manga, muita jaca... Muito doce de leite feito no fogão à lenha... Requeijão caipira e a raspinha da panela que ficava depois rendia uma farofa das mais divinésimas do mundo inteiro!!!
A casa dos meus avós paternos não ficava atrás em atrativos... Os melhores eram os primos... E, claro, meus avós!!! Sempre tão doces e gentis. Minha linda avó trazendo em uma bacia ou em uma lata de mantimentos petas e pães de queijo feitos com todo o carinho para nós. E o melhor doce de abóbora do planeta e o melhor doce de leite talhado que já comi. Nunca mais vou sentir aqueles sabores e isso me dá um pouco de tristeza... Ela já conta seus 94 anos e está com muitas saudades de seu companheiro de mais de 70 aos de convivência que se foi e agora tem esperado pelo momento do reencontro.
Bom, os primos são um capítulo à parte na minha vida. Quantas brincadeiras!!! Na casa da vó o quintal com goiabeiras, mangueiras e com o famoso - pelo menos para mim - pé de fava... Eu me impressionava com aquela faveira. Foi meu tio que plantou!!!
E brincávamos demais... Até a hora de ir embora! Pique-pega, pique-esconde, conversávamos, mexíamos em tudo e gostávamos de experimentar a cadeira de refeições do meu tio que tem rodinhas porque ele é portador de necessidades especiais. 
E tinha as minhas tias, também um capítulo à parte para mim. Gostava demais de estar entre os adultos também. 
Mas, voltando ao ar livre, hoje acho que há seres que só habitam o mundo infantil... Tipo as joaninhas. Outro dia até que vi uma. Peguei-a, coloquei-a cuidadosamente em um pequeno vidrinho sobre o piano e fiquei esperando minha filhinha acordar para lhe mostrar. Quando fui pegá-la, cadê a bichinha? Sumiu, como todo ser encantado faz. Só aparece quando quer e para quem quer! Hehehehehehe!!!
Ah, quando eu penso que joaninhas, tatus-bolinhas, vaga-lumes, grilos cantores e cigarras estão desaparecendo, eu prefiro pensar que eles só habitam o universo infantil e que dia desses minha filha vai ter a sorte de ver muitos deles por aí. Ilusão... Mas, prefiro assim. Faz com que eu me sinta melhor.
Alguns doces prazeres que ainda consigo dar a ela, como ficar descalça e sem roupinhas ao sol. Regar as plantinhas com um regador só dela, pisar a grama sem calçado, areia, mexer com terra, molhar os pezinhos...
Não há a casa do avô na fazenda e nem a casa do outro avô distante para passar os fins de semana. Todos moram perto e na cidade o que diminui um pouco as chances de achar os seres mágicos. 
Sei que o amor é o que importa. Sei que as risadas, o fato de estarmos sempre juntos e as brincadeiras é que importam. Mas, também eu sei que o que eu desfrutei é sem palavras...
O queijo fresco, os doces caseiros, o pão de queijo, as petas, os cavalos, bois, vacas, bezerros, carneiros... O jambo, a bica, o córrego tão verde e frio... Eu criança não sentia o frio daquela água do sítio do meu pai... E jamais senti medo de enroscar o pé numa cobra no meio do mato...
Simplesmente gostava dos cheiros, das cores, da diversão, do amor dos meus. Simplesmente gostava do encantamento dos vaga-lumes, das joaninhas, dos tatus-bolinha... Simplesmente as frutas eram mais doces quando colhidas e devoradas no pé. Simplesmente o doce de abóbora era mais gostoso na casa da vó...
Simplesmente eu achava a bica d'água algo tão grande e tremendo que não poderia jamais deixar de estar lá para tomar banho...
Tudo era simples... Taí... Talvez a gente, quando cresce vai perdendo a simplicidade para enxergar algumas coisas tão boas da vida. Penso que nossa trajetória nos faz distanciar de um pouco de nós mesmos. Relembrar é trazer de volta a minha simplicidade de criança e a alegria de experimentar tudo pela primeira vez. É também devolver para mim o encantamento com pequeninas coisas e trazer de volta a imaginação fértil e delicada... Mesmo assim, os seres tão abundantes na minha infância não me aparecem mais.
Resta a mim o consolo de ter visto ao menos uma joaninha quando adulta... Vermelhinha e cheia de bolinhas pretinhas... Mas, a joaninha se foi, como o tempo que já passou.
Feliz dia das crianças a vocês cuja criança voltou para lhes buscar a lugares que antes já visitou... Mas, volte para contar!!! Se vir um bichinho desses por aí, diz que a menina que eu fui, sou e sempre serei mandou lembranças!


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Assopra!

Dia desses eu assisti a parte de um documentário do Dicovery Home & Health a respeito da infância hoje em dia. Mostraram ruas nos anos 70 e 80 e as mesmas ruas nos dias atuais. Naquelas décadas eram cheias de crianças brincando, correndo, sorrindo, gritando e, atualmente, vazias. Totalmente vazias de crianças.
Sabe, não sei se concordo com as diversas opiniões e pesquisas mostradas por vários especialistas que versavam sobre o fato de as crianças não serem mais livres.
Lembrei, claro, da minha infância. Sou uma sobrevivente, segundo a mentalidade atual. Passávamos o dia na rua. Lembro que brincava de pique pega, pique esconde, pique bandeira - também conhecido por salve bandeira ou bandeirinha que, na verdade eram um galho de árvore que achávamos nem sei como - de pular corda, de elástico - essa uma brincadeira quase exclusivamente feminina, sem contar o taaaaaaaaaaanto que brincávamos nas casas de nossos amigos ou primos de casinha, de nave espacial, de super heróis e heroínas, subíamos em árvores imensas e chupávamos manga no pé, amora, pegávamos flores, fazíamos comidinhas de areia.
-"Boca de forno!"
-"Fooooooooooorno!"
-"Jacarndááááá!"
-"Dáááááááááááá´!
-"Tudo o que mandar"?
-"Fazeremos"!
-"E se não fizer"?
-"Apanharemos"!
Era assim mesmo... Tudo falado errado. Nem por isso ficamos menos cultos. Tínhamos, não obstante, os momentos de aula, de fazer dever de casa, nossos trabalhos feitos com livros e mais livros - Barsa e Mirador, lembram? - de fazer nossos cursos de inglês, piano, ballet, caratê e escambau a quatro. E brincávamos muito, até a hora do jantar, quando nossos pais lembravam que tínhamos de comer e depois dormir para ir à aula.
Cantávamos e dançávamos cantigas de roda do tempo dos escravos. "Atirei o pau no gato"... Nunca via amiguinho meu nenhum maltratar animais por causa dessa música. Gostávamos mesmo era da farra, do ritmo, do abaixar repentinamente para gritar o famoso "Mi-aaaaaaaaaaau!"
Hoje alguns pedagogos elevaram o "Boi da Cara Preta" a pesadelo da coletividade brasileira. Só me lembro de o ritmo me fazer dormir. Nada mais. Nada ficou no meu subconsciente de ruim, de medo de um boi negro. Ele nunca, nunca mesmo me visitou em meus pesadelos.
As historinhas da Coleção Disquinho - lembram trintões e quarentões, dos disquinhos coloridinhos com as historinhas do Macaco e a Velha, da Festa no Céu, Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos etc? - já vi algumas pessoas as chamarem de preconceituosas...
Gente, cadê a inocência? Onde foram parar apenas as boas intenções?
Uma das especialistas do documentário do qual eu falei perguntava: "Como poderemos construir uma sociedade de confiança se não confiamos em nossos filhos?"
E eu pensei a respeito e concluí que não é uma questão de confiança no caráter dos filhos que faz com que os pais de hoje - incluindo eu - não deixarem os filhos irem para a rua e brincar. Eu amo a minha filha e todos os pais amam seus filhos, não é possível que um pai pense: "Se eu deixar meu filho sozinho ele vai fazer besteira." Claro que não!
Acho que o tal medo sobre o qual falei no meu último post é o que motiva essas reações defensivas nos pais. Vamos analisar os fatos: Até a década de 80 ter uma televisão era caro. Bem caro. Eram aquelas TVs de botão e quase nenhum aparelho tinha sequer controle remoto. Internet então, era coisa apenas para as grandes companhias, instituições de pesquisa de grau elevado e ainda engatinhava em suas conexões mundiais. Celular? Que maravilha seria essa, meu Deus! As linhas telefônicas eram caríssimas, tão caras que, quando a telefonia foi privatizada no Brasil rendeu ações e um bom dinheiro às famílias... Ainda nos correspondíamos por cartas. E era maravilhosa a sensação de receber uma, tal era a espera da ida da carta e da vinda da resposta... Cartões postais e seus carimbos e selos... 
A comunicação era diferente, isso é fato. Outro cientista do tal documentário afirmou que, na verdade, o mundo está estatísticamente mais seguro para as crianças, por um sem número de motivos, entre eles o maior acesso à informação, à recursos de saúde, novos medicamentos, eficiência investigativa das polícias, etc.
O que eu penso, após analisar tudo isso é que justamente o novo mundo conectado é o que nos atrapalha. As notícias se espalham e, em questão de segundos, todos sabem de tudo. É espantoso! E os telejornais do Brasil que antes falavam de inflação galopante, hoje falam apenas de violência, já que a economia está razoavelmente controlada e estável. Se uma criança cai num determinado brinquedo de um parquinho, já é motivo para que as autoridades retirem aquele item de todos os parquinhos do universo. Eu me lembro de brincar e me virar de cabeça para baixo, de me pendurar e me equilibrar pelas barras finíssimas dos brinquedos e nunca me machucar. 
Claro, ganhava uns arranhões, um hematomas, mas sobrevivia e queria sempre mais. É difícil um pai e uma mãe não ficarem apavorados ao verem seus filhos em lugares que os "especialistas" reputam como perigoso para seu filho. Como é que eu vou deixar que o ser que eu mais amo e me foi entregue para que eu cuide se meta em lugares que podem ser perigosos para ele? Como é que vamos deixar nossos filhos caírem e quebrarem seus pescocinhos lindos?
Não é, portanto, falta de confiança nos filhos, mas sim a falta de confiança no mundo em que nossos filhos vivem: Bala perdida, sequestro relâmpago, motoristas bêbados, drogas em cada esquina, pedofilia, mulheres grávidas sendo mortas por nada, plásticos que, aquecidos, causam câncer, radiação solar que mata, frangos que aceleram a puberdade, sexualidade antecipada, violência gratuita, jogos alienantes, loucos atiradores... Que mundo mais louco, não?
Ainda não consegui decidir, portanto, qual é o problema de nossa sociedade atual, se é o mundo que está realmente diferente ou se o excesso de informação que nos deixa tão apavorados a ponto de criamos nosso filhos em casulos bem fechados e sob nosso olhar constante por onde quer que eles estejam - a internet também criou essa "maravilhosa" ferramenta das câmeras que se podem acessar de qualquer lugar para ver se seu filhote está são e salvo.
Só sei de uma coisa: Lamento o fato de que eu não terei como deixar minha filha brincar como eu... Poxa, não haverá outras crianças na rua para que ela possa brincar... No que depender de mim, mesmo com tanto medo de tudo o que nos cerca atualmente e com uma ferida de mãe aberta no meu coração, eu quero que ela cante cantigas de roda comigo. Que ponha a mão na areia, na terra, que pise a grama descalça, que ande descalça no chão frio de casa. Vou deixá-la feliz muitas vezes ao sentir o vento no rostinho quando andarmos de bicicleta. Quero andar com ela pela rua e deixar que ela corra - não muito, claro, que é para não esborrachar em tato asfalto. No que depender de mim eu quero que minha filha seja feliz. Mesmo que seja desse jeito tão diferente, que eu não consigo reconhecer como genuíno - mas deve ser. Afinal, o ser humano tem a incrível capacidade de se adaptar a qualquer adversidade, a qualquer diferença. Com a infância atual não deverá ser diferente.
Mas, vamos combinar: Como era bom brincar na rua e ralar o joelho de vez em quando... E eu posso dizer com isso: Sobrevivi ao Merthiolate que ardia!!! Assopra, assopra!!! Hehehehehe!!!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Coisas de mãe

Faz bastante tempo, eu olhei aqui, que não escrevo... Muitas mudanças na vida. Trabalho, filha, casa, pouco ou quase nenhum tempo para mim. Para escrever então, pffffff...
Bom, quem acompanhou minha trajetória por aqui deve ter reparado que esse blog foi inicialmente criado como uma forma de desabafo. Não podia dizer um monte de coisas, então escrevia. E passou a ser também um registro de inúmeros sentimentos que foram mudando ao longo do tempo e dos meus espaços.
Hoje, eu volto aqui como a mãe que me tornei.
Há algumas semanas uma triste notícia tomou conta dos meus pensamentos, do meu coração e eu esperei um pouco me distanciar dos sentimentos para tentar escrever algo a respeito. 
Porém quero voltar há alguns anos atrás e relembrar uma outra triste história de dor de mãe. Quem não se lembra do caso João Hélio? Nem pensava naquela época - 2007 - em ser mãe. Na verdade, até repudiava um pouco a possibilidade de o ser, mas eu fui inteiramente tomada de um sentimento tal que quase não podia suportar a dor da mãe do menino. O fato é que a morte dele doeu - e dói - meu coração e até hoje eu acho que foi o crime mais horrendo do qual eu tive notícia na minha vida.
Mas, não parou por aí... Muitas outras mães já passaram por muitas outras dores por aí e o tempo passou e eu também me tornei mãe.
Como disse anteriormente, outro crime me chocou, talvez pela proximidade de realidades. Um bebê de um aninho foi baleado durante um assalto ao carro de sua mãe. O curioso é que a criança estava no cadeirão no banco de trás e um dos assaltantes o baleou. Simples assim. O menino morreu. E uma mãe ficou sem um filho. Mais uma mãe. 
E domingo... Não tenho como não falar disso... Houve a tragédia de Santa Maria... Quantas mães sem seus filhos.
Tenho de concordar com um texto que uma amiga me enviou no Facebook e que me emocionou profundamente. Só de me lembrar dele eu tenho vontade de chorar... Há uma parte com a qual concordo plenamente: Quando uma mulher se torna mãe, uma ferida de abre em seu coração e jamais cicatriza...
Acho que só quem é mãe sabe o que é isso. Não adianta tentar entender se você não tem um filho. Não adianta.
Fiquei pensando sozinha nesses dias, juntando angústias e jogando-as aos pés de Cristo, foi o que me restou. Porque não há como fugir dos nossos medos. Minha filha é minha companheirinha e sempre que possível está comigo onde quer que eu vá. Anda, claro, num cadeirão. Tenho de colocá-la e tirá-la de lá e ficamos as duas vulneráveis. Quem nos guarda? Só Deus. Ainda bem.
Mesmo assim eu confesso a Ele todos os dias que tenho medo. E onde mais eu posso guardá-lo? Esse é o tipo de coisa que a gente não fica falando e até evita pensar. Também por medo.
Não posso evitá-lo! Só tento controlá-lo. É a tal ferida doendo o tempo todo.
Todas as mães pensam nessas coisas e  não ficam falando nelas pela mesma razão.
Não temos medo apenas das tragédias enormes. Temos medo das pequeninas também. Fico apavorada com o fato, por exemplo, de Sofia ficar pulando e pulando e pulando no sofá da sala e, em algum momento aquela corda invisível que a segura se partir e, num átimo de segundo ela cair de lá e se ferir gravemente sem poder me dizer: "Machucou, mãe", e vir correndo para eu lhe dar um beijinho que sara. Por outro lado eu não quero ser uma mãe histérica que proíbe a filha de brincar como uma criança só por medo de que algo aconteça.
Na última segunda-feira, nós a deixamos no seu primeiro dia de aula. E eu andava dizendo por aí que só choraria se ela chorasse também. Mas, nossa menina nem olhou para trás. Simplesmente ficou brincando e olhando as outras crianças chorarem. Nós - eu e Paulo - é que choramos. Uma sensação estranha tomou conta de nós que nunca havíamos deixado nossa filha num lugar estranho e onde não estaria com ninguém em quem confiamos cegamente, como nossos pais ou irmãos. Eu ficava pensando na possibilidade de ela chorar e eu não estar por perto para abraçá-la! Como isso me doeu!!!
Hoje, entretanto, eu vi a fragilidade da minha linda. Ela não chorou e não chora na escola, mas sim, se importou que nós a tenhamos deixado lá. E, num choro que não passava de jeito algum, ela apenas dizia: "Ah, mamãe!" E meu coração doeu. E eu me lembrei que nossos filhinhos não são apenas vulneráveis fisicamente. E eu me lembrei também das tantas vezes que eu joguei em Cristo o medo de ferir o coração da minha filha.
Agora meu tesouro dorme..  Eu eu me lembro que ela é um ser fora de mim... Outra pessoa que precisa viver. Essa tem sido a primeira semana de aula. Por quantos dias eu a levarei sozinha para a escola ou outra atividade? Quantas vezes eu ficarei sem notícias por horas a fio? Ela vai crescer e, um dia seguirá seu caminho, e, provavelmente ficará dias sem sequer me ligar, pois terá sua vida para resolver.
Eu a amo tão profundamente que gostaria de estender meu amor a todas as mães do mundo. Sim às minhas companheiras de dores e angústias e também de alegrias infinitas.
Sou tão grata a Deus por  tudo. Agradeço por tão grande presente para mim. Não podia ter passado a vida sem experimentar tantos sentimentos que parecem tão confusos. Tudo é muito bom e a vida e o amor fazem muito mais sentido para mim.
E peço a Ele também que conforte o coração das mães que hoje não tem mais seus filhos. Nem posso imaginar a dor de sentir seus "braços" vazios. Esse buraco que deve haver agora em suas almas. É que, quando um filho nasce, também surge em uma mãe um algo que preenche o que não era vazio. Entendeu?  Se entendeu, então você é mãe. 
E, se você é mãe, também sabe que, quando um filho nasce, nossa vida se torna algo diferente de tudo o que conhecíamos anteriormente. E sabe que muitas vezes nossos bebês chorarão sem que estejamos por perto... Mas, sabe também que um sorriso de nossos filhos é capaz de fazer qualquer dor, preocupação e medo passarem. Nada na vida pode ser melhor do que ser mãe.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Bilhete Premiado


Tenho muita sorte...
Muita sorte em ter você por perto e mais sorte ainda por você estar sempre bem perto.
Muita sorte por compartilhar minha vida com você e mais sorte ainda em você compartilhar a sua com a minha.
Muita sorte por você um dia ter me visto e mais sorte ainda por um dia nossos caminhos terem se encontrado numa encruzilhada que quase deu fim ao que eu acreditava ser um sonho.
Muita sorte por você compartilhar seus sonhos comigo e mais sorte ainda por você acreditar nos meus e os realizar... Todos.
Muita sorte por você ter paciência e mais sorte ainda por você continuar tendo paciência – e eu espero que continue por todo o restante dos nossos dias.
Muita sorte por você ter uma história de vida longe da minha e mais sorte ainda por Deus já ter, em seu Livro, juntado as nossas histórias para serem uma só.
Muita sorte por eu conhecer seus olhares, seus suspiros, seus gestos e mais sorte ainda por você saber de mim e, mesmo quando poderia falar, e falar, e falar, apenas me dá um abraço que, para mim, é melhor que qualquer remédio que eu possa tomar.
Muita sorte por eu poder viver o cotidiano com suas rotinas e surpresas juntamente consigo, e mais sorte ainda por você compartilhar os mínimos detalhes da vida com essa criatura tão eu - que sou eu...
Muita sorte por Deus ter me escolhido para dar a você um presente tão lindo como nossa filha, e mais sorte ainda por você ser o pai dela, um pai que eu sempre sonhei para compor uma família juntamente comigo.
Muita sorte por você poder ver seu sorriso quando estou tão cansada, triste ou enfurecida, e mais sorte ainda por poder me sentir assim, tão confortada com isso. 
Muita sorte por você doar seus dias, suas horas, seus minutos e se preocupar em estar sempre presente, e mais sorte ainda por você gostar disso por acreditar que uma família se faz assim, de momentos preciosos que não voltam mais
Muita sorte por não se esquecer dos maravilhosos momentos que passamos juntos e mais sorte ainda por você também se lembrar junto comigo e - ao menos – não deixar transparecer que está cansado de ouvir e relembrar essas coisas todas.
Muita sorte por hoje eu ter podido acordar hoje ao seu lado e por poder lhe dar mil beijinhos e mais sorte ainda de me lembrar de agradecer a Deus por esses dois anos de convivência.
Muita sorte também por poder elevar meu coração e meus pensamentos aos céus e pedir àquele que pode todas as coisas que me dê o privilégio de conviver com você por toda a eternidade que virá, e mais sorte ainda por saber que Ele vai atender à minha oração, não porque eu seja melhor do que qualquer pessoa, mas, porque eu tenho fé nisso e mais fé ainda de que Ele nos atende.
Muito obrigada – ó eu de novo – por me trazer tanta sorte... Você é meu bilhete premiado, a mina de ouro perdida e mais preciosa do mundo, a última barrinha de Lindt do pacote!!!
Enfim, meu amor, tudo isso só para lhe dizer: Amo você!!! Obrigada por esses dois maravilhosos anos ao seu lado. É um privilégio viver e conviver com a grandeza de sua alma tão gentil!!!