terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Carta ao Pai


"Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o Senhor tem feito por eles.
Com efeito, grandes coisas fez o Senhor, por nós; por isso estamos alegres.
Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes do Neguebe.
Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.
Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes".


Salmo 126


Não, Pai. Não foi porque o Senhor resolveu mudar a minha sorte que eu estou agora escrevendo estas linhas. Sempre - o tempo todo - falei com o Senhor. E o Senhor jamais se calou. Nunca ficou em silêncio, mesmo quando eu mereci.
Nos momentos em que o mundo se aquietava, Sua voz sempre se fazia ouvir. E eu, muito mal criada, muitas vezes dizia que era coisa da minha cabeça. Que eu estava ficando louca. Mas logo o Senhor me dava provas e mais provas de que não era eu.
Tenho medo do meu coração. Muito medo. Porque sei que a Sua Palavra tem razão quando diz que ele é muito enganoso.
Meus caminhos foram longos, mas já faz tempo que o Senhor não me deixa caminhar de tanta dor que eu sentia.
Só que agora eu não saio mais dos Seus braços. Porque não estou só ao Seu lado. Estou dentro do Senhor. Em Cristo.
Mesmo quando eu fui horrenda e caí em total desgraça, foi aí que a Sua Graça se fez mais presente. Todos os dias eu me lembrava do velhinho dizendo "quanto pió, mió"!
Eu aprendi, nesse tempo, o que é, de fato, a dialética. Só posso ter Graça se não a tiver. Só posso ter Misericórdia se precisar dela. Porque o Senhor dá tudo abundantemente - mas é tudo na medida certa.
Senti uma das piores dores da minha existência. E tive de fechar portas atrás de mim, sendo que uma delas o Senhor não me permitiu abrir para sair. Ainda bem.
A outra eu tive de abrir. E fechar. E me contorcer de dor por dentro. Pensei que iria morrer. Mas, eu sempre confiei – mesmo no meu desespero – que o Senhor faz o melhor.
Sua vontade é boa, perfeita e agradável. Mas, esquecemo-nos de que é ao Senhor. Ao cabo de tudo, é bom para nós também.
Não é fácil, entretanto.
Jamais me senti abandonada. Jamais. E o Senhor sabe disso. Quantas vezes ficamos juntos, não é? Só nós dois. Ainda que com outros ao meu redor. Estava o tempo todo com o Senhor.
Agradeço por TODOS os momentos. TODOS. Pelo desespero, pelo choro, pelos muuuuuuuuuuuuitos risos e abraços. Por tanto carinho.
Agradeço pelos irmãos que o Senhor colocou no meu caminho. Nunca faltou um ombro para que eu chorasse, tampouco mãos para enxugar as minhas lágrimas e palavras para me fazer sorrir.
Foi tudo muito bom. Ainda é. Tenho medo das chacoalhadas que o Senhor dá, mas, mesmo elas foram boas.
Estou como quem sonha. Acordada. E acho que o que vem por aí vai me fazer sonhar muito mais.
Não. Não estou nas nuvens. Estou no Seu colo. E não estou mais no canto da sala.
Obrigada. Mesmo. Acho que palavra alguma pode expressar. E eu fico até envergonhada em dizer qualquer coisa, pois sei que tudo o que eu falar, mesmo que todas as mais belas palavras fossem ditas, não fariam justiça ao Seu Nome. Mesmo porque, o Senhor, em absoluto, não precisa delas.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tu...


És um encanto suave como uma brisa cálida de primavera recém-chegada, e um silêncio doce de águas calmas.

És uma palavra certa no exato momento de existir, e o conforto de música terna de um singelo amanhã.

És o som de folhas ao vento da chuva que se aproxima, e o abrigo do frio de minha alma.

És o abraço suave, quente e macio, e o beijo doce de um amor que apaga os amargores cotidianos.

És um sorriso terno que aquieta as labaredas do meu viver, e o olhar limpo e claro que desvenda todas as minhas dores.

És a voz tão gentil como o toque do sol das manhãs quentes e azuis, e tantos carinhos que não cabem em si.

És o que és. E nada mais. E isto, por si só já me faz abrir um sorriso enorme. Dentro do coração

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Na Roça




Era mesmo TPM... Mas as saudades permanecem - não é sem motivo que o Post que inaugurou este Blog se chama Maria da Saudade.

E hoje amanheceu mais um lindo dia azul. E gosto até quando venho trabalhar de ônibus porque eu não me preocupo com o trânsito, então posso ver tudo, tudinho.

Eu estou de volta à casa dos meus pais, que moram numa cidade satélite aqui do Distrito Federal.Para mim, é a cidade mais linda da região. Faz um friozinho gostoso por lá, e é cercada de lindíssimas paisagens.

Meus olhos jamais se cansaram de ver.

Mas, durante o trajeto para o trabalho, passamos pelo Torto, uma baixada pela qual se passa e onde há a propriedade que um dia foi do meu avô materno, e onde fica também o Córrego do Torto que desemboca no Lago Paranoá.

Eis que passando por lá, vejo aquele riozinho e sinto um cheirinho de mato, de cerrado... E as saudades me inundaram como se a chuva fizesse uma tromba d'água naquele vale cujo sol ainda nem havia tocado. Fui, junto com minhas lembranças, transportada para o sítio que tínhamos em uma outra cidadezinha das redondezas.
A casa era simples. O chão era de cimento queimado com vermelhão. Quando compramos a propriedade - eu me lembro bem - ainda não havia energia elétrica. E havia um cavalo lindíssimo que ninguém havia conseguido domar, por isso foi deixado lá.
Abaixo, após o quintal, ficava o curral. E lá no fundo da propriedade - mas não muito longe da casa - ficava a residência do caseiro e o córrego que passava quase nos fundos dessa casa.

Indo caminho adentro, ficava o pomar bem próximo à mata ciliar e pertinho de uma nascente de águas azuis. Mais acima a plantação de abóbora, mandioca, milho, etc.

Voltando à casa, eu ainda me lembro do cheiro daquela construção e seu telhado sem forro. E do som de metal que fazia o catavento. E do barulho peculiar do vento batendo na copa do pinheiro que ficava no portão de entrada da casa.

Aquela passagem de ônibus me comprou outra muito mais valiosa por um tempo que só volta agora dentro de mim.

Voltam as sensações do banho nas águas verdinhas do córrego. Voltam na lembrança da minha mãe lavando a roupa perto da gente, enquanto brincávamos. Voltam ouvindo a cachoeira e a roda d'água. E no tempo que eu passava na pedra ouvindo o silêncio das águas e do mato.

O passado morava no mistério da curva do rio que eu nunca tive coragem de dobrar. E naquela borboleta enorme e azul que todos os dias vinha me espiar.

Meus olhos tinham um horizonte de montes e céus para descansar. E repousavam, lá da rede, naqueles verdes de milhares de matizes que coloriam os arredores.

Eu ainda posso escutar nossas risadas de crianças, e os sons dos nossos pés correndo apressados para todos os lugares daquele sítio.

O cheiro da resina da mutamba. O sabor das mangas. O perfume das limas. O cheiro da palha do milho e da pamonha quentinha. O leite ferrado com matruz... Ah... Aquela cozinha! E o seu fogão à lenha de vermelhão!!! A cinza misturada com água para as panelas não ficarem pretas!

Aquele quentinho gostoso durante o frio de junho.

A fogueira de junho!!! Que maravilha!!! Histórias e mais histórias... O rosto quente e as costas frias - Hehehehehehehe!!!

Os vagalumes! Como é que a gente conseguia pegá-los naquela imensidão, sendo tão pequeninos? Há coisas que, definitivamente, só crianças sabem fazer.

E o curral? Meu Deus! O curral! Os bezerrinhos tão molinhos e encolhidinhos. Ou de focinhos amarrados aos pés das suas mães para que a gente lhes roubasse um pouco do seu leitinho! Tadinhos!!!

E a fumacinha saindo das canecas de leite morninho...

Os passeios à cavalo... Era quando ir sem rumo para lugar nenhum era maravilhoso. Os pocotós eram divinas melodias que eu parava só para ouvir um canto de pássaro diferente...

Como é que a saudade pode me abandonar? São tantas coisas maravilhosas para lembrar.

Mas, o que eu queria mesmo era que, nesse dia tão azul, o tempo voltasse só por um dia no meu sítio. Só para eu ouvir novamente aqueles sons, sentir aqueles cheiros e ver aquela beleza... E provar os sabores que só havia ali, misturados aos outros sentidos da minha vida.

Naquele tempo a única razão que eu tinha para viver era a própria vida. Nada mais. Então tudo aquilo me bastava.

Acredito que foi por isso que hoje o Torto me levou água abaixo para dentro de mim mesma. Será que nunca mais a única razão para viver será a minha própria vida?

Sei que não há caminho de volta pelos caminhos da existência que se cimentam em tantas outras. Sei que elas estarão conosco para sempre e sempre. Sei que os afazeres me consumirão dias e dias. Sei que a trajetória é longa. Sei que cansa.

Mas, foi preciso apenas um átimo de segundo para eu viver anos e anos novamente. E... Sabem? Meu corpo ainda está fresquinho daquele mergulho, daquele vento e daquele aroma...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

TPM?????????

Estava aqui ouvindo umas musiquinhas, e me bateu uma saudade não sei do que, de quem, nem de onde, e nem sei o porque.
Um aperto no coração... Nada bom.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Homenagem...

Hoje eu fui homenageada por minha amiga Juju-Xuxu, que colocou uma linda foto minha tomando sol na praia!!! Hehehehehehe!!!
Maria-Farinha é como sou - solenemente - conhecida agora! (E a Juju também)
Só porque ela já nasceu afortunada com uma pele incrível e morena... Ela faz essas coisas comigo!
Ô Ju... É o seguinte: Como sinto saudades de nossas risadas. Nem sei como é que conseguíamos trabalhar...
Beijoooooooo!!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Num dia azul...


...E foi assim que, num dia azul, eu acordei num quarto escuro... Sem qualquer vontade de levantar para sentir o cheiro da manhã.

Eu só queria continuar de olhos fechados, aquecida por meu cobertor, fingindo ser ele o seu corpo encostadinho nas minhas costas, e as minhas almofadas eram seus braços me envolvendo num abraço terno e demorado de uma noite inteira.

Mas, tive de me levantar, porque o dia me chamou, berrando nos meus ouvidos que você não estava comigo ali. E o cotidiano me puxou pelos braços gritando que a vida tem de ser mais que uma caminha macia...

Saí por uma estrada de cidade, tão descolorida... Porém, ela é ladeada pelo verde da vida que explode em cada canto do verão fresco e azul que se levantou, num sorriso de sol que se escondeu durante dias nas chuvas que o preparavam.

Elas foram o casulo desses dias... E as nuvens negras revelaram o lago de profundo azul... Onde eu não posso agora estar à beira ouvindo o silêncio de Cecília...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010


Antes de qualquer coisa, eu só quero dizer que morri de saudade de todos vocês daqui ó, dessa Blogolândia maravilhosa!!! Acontece que tirei duas semaninhas de merecidíssimo descanso. Passei a primeira semana dodoi - porque, afinal de contas, o corpo também sente essa loucura que foi o meu fim de ano - e a segunda dormindo muito e "curtindo" uma reforma bacana na minha casa, ou melhor, na casa dos meus pais.

Meu quarto ficou pronto - e lindo! - e as coisas estão começando a entrar nos eixos, assim como a minha vidinha...

Então, como tudo está novinho, novinho - inclusive o ano - eu aproveito para deixar um abraço e muitas beijocas aos meus companheiros de "viagem" virtual. E desejar-lhes um excelente ano novo, cheio de muuuuuuuuuuuuuuitas realizações. Que vocês realizem todos os seus sonhos e desejos. E que, quando eles forem todos realizados, ainda sobre tempo para sonhar novos sonhos e desejar novas coisas...

E que suas vidas sigam seus cursos: Que vocês tenham muito trabalho e que valorizem cada dia dele. E que, mesmo aquilo que não foi conquistado com muito esforço seja valorizado por vocês.

Que vocês encontrem muitos sorrisos. E que eles sejam todos - ou quase todos -muito sinceros.

Que achem forças para rir de suas próprias tristezas, e que seus corações batam forte por pequenina que seja a emoção.

Que neste ano que se inicia, a verdade seja seu maior amor. E que o que vocês são tenha mais valor do que o que vocês tem.

Nunca, jamais e em tempo algum percam de vista um fato que não muda na vida: O que temos, se perdermos, podemos reconquistar com trabalho. Mas, o que somos, uma vez perdido, não é possível retomar.

A vida é muito preciosa para ser desperdiçada. Que a sua vida seja mais importante do que a vida do seu semelhante - da qual você pode compartilhar, mas sem aquela liberdade excessiva e permissiva, mesmo porque, ela não é sua e você não pode resolver problemas que não são seus, apesar de poder, sim, chorar com o outro.

Que você veja brilhar muitos sóis. E que veja milhares de pinguinhos de chuva.

Que você sinta muito calor e sue muito para desentoxicar... E que sinta um frio danado e tenha como se aquecer... De preferência com um abraço apertado e aconchegante.

Bom... Em suma, que a vida, neste 2010 novinho, novinho, seja uma estrada aberta e de longa caminhada... E tomara que você não se canse dela rápido. Só lá no dia 31 de dezembro!

Beijooooooooo!!!


PS.: Quero mandar megabeijos muito especiais à Linda Elisa, minha parenta distante - linda, sensível, honesta e uma mãe e esposa maravilhosa; à Adri, minha carioixca maravilhosa, radiante e sábia; Claudinha, aquela Fufuquinha de gente mais amadinha do mundo; ao Rafa Pimenta - o ardido mais agradável do Universo inteiro, cheio de histórias para contar, de lugares para ver e comentários espetaculares; à Gabi lá do além mar... Essa Portuga fofíssima, tão genuína e sensível, sempre me dando uma força com sua gentileza e sua sutil e forte presença... Desculpe se esqueci alguém... Não foi por querer!

Ah! E aos anônimos, nem tão anônimos assim, que sempre estiveram por aqui, meus agradecimentos por perderem seu valioso tempo com uma pessoa assim-assim como eu...

Beijo enooooooooooooooooorme em vocês!!!

Tudo de melhor, gente linda!