segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Olha a Chuvaaaaaaaa!!!




Feriado Nacional. Em homenagem à Independência do Brasil...
Dia lindo! Como em quase todos os anos. Fui à casa de um dos meus primos queridos que mora em uma chácara próxima ao lugar onde fui criada. Mas, é longe. Logo fiquei aborrecida por causa de um engarrafamento monstruoso no centro da Capital. O aborrecimento passou depressa com a velocidade do carro. Alta por sinal, o que quer dizer que minha raiva passou a 120 km/h diante de mim.
A casa do Eduardo é longe, não só porque é distante de algum lugar, mas porque não pega celular, não tem internet...
Confesso que no início eu cheguei a ter uma certa síndrome de abstinência deste tipo de tecnologia. Como se meu telefone vivesse tocando. Até parece... Quase ninguém me liga! E como se eu recebesse milhares de mensagens eletrônicas.
Mas é que a sensação de estar alijada do mundo e dos acontecimentos e o fato de eu precisar falar, com alguém, ou só desejar isto por qualquer motivo que seja e não conseguir me apavora!!!
Passado um certo tempo, de tantas e tantas vezes que eu tenho ido até lá onde meus amados primos e tios moram - no lugar que está se tornando uma charmosa e aconchegante vila - eu já nem tenho sentido mais tanta falta dessa tecnologia. Foi coisa banal. Nada que umas horas de conversa, risos, música e dança não sarassem.
Ontem eu estive lá com meu doce e gentil amigo, e lá estavam as figuras familiares dos meus amados primos, meu tio, da criançada... E, como hoje, amanheceu um lindo dia de sol. Queeeeeeente!!! Suei em bicas, fiquei cor de rosa, como sempre... Mas, valeu a pena. Nada como ter sempre um leque na bolsa. E eu sempre tenho.
Ontem, assim como hoje, depois do almoço caiu aquela chuva!!!
Só que a de hoje foi bem pior que a de ontem. Pior não. Mais forte.
Quando eu era criança, eu tinha fobia de chuva. Fobia mesmo. Quando eu sentia aquele vento diferente, quando via o céu escurecer, sentia o cheiro de terra molhada que o vento trazia de longe, eu já sentia uma dorzinha de barriga, daquelas que só sentimos quando o medo chega com muita força. Era como se fosse um vazio no baixo ventre que, subitamente, era preenchido por um monstro vindo das profundezas do abismo e começasse a cospir fogo dentro de mim.
Ao mesmo tempo em que eu sentia aquela agonia me subia um calor: Era ele, o tal monstro me devorando com sua chama impiedosa!
Quem me conhece bem sabe que quando me sobe esse tal calor eu fico, invariavelmente, e por qualquer motivo que seja, muuuuuuuuito vermelha.
É impressionante.
Quando ia começar a chover, eu começava a chorar. Era uma sensação muito ruim. Trovões? Relâmpagos? Raios? Ai meu Deus!!! O pânico tomava conta de mim.
Minha mãe conta que um dia eu saí gritando para a minha Bá: Nê, vamos, vamos molhar as plantinhas, vamos!!!
Ao que ela respondeu: Mas não precisa! Vai começar a chover!
E eu falei: Mas, a minha mãe disse que Deus manda a chuva para molhar as plantinhas, e se a gente molhar antes dEle, então não vai chover!!!
E todos começaram a rir de mim. E eu comecei a chorar, porque simplesmente não entendia que não bastava a minha vontade para Deus não mandar a chuva. Ela vinha. Porque era época de vir. Porque o mundo precisa dela. Porque tem sido assim desde que tudo foi criado. Porque a vida precisa continuar, a despeito do choro de uma menininha.
Quando chovia e era noite, eu até ficava sozinha no meu quarto. Mas, era sempre com muito pavor. Muito. Encolhida na cama, totalmente coberta - coisa de que tenho horror até hoje - eu não conseguia dormir. A cada relâmpago, eu tampava meus ouvidos para não ouvir os estrondosos trovões que viriam em seguida.
Meus pais sabiam que eu nunca pediria ajuda. E que não teria coragem de sair da cama para pedir para ficar com alguém. Por isso, minha mãe me levava pela mão, com meu colchãozinho na outra mão, e me colocava para dormir no quarto com meu irmão. Para o pavor arrefecer, bastava estar perto de alguém. Não precisava me abraçar. Bastaria estar pertinho. Mais nada.
Não sei até hoje quando foi que aquele medo passou. E como ele começou.
Hoje, eu amo a chuva. Ainda sinto um certo incômodo com os relâmpagos e trovões. Mas, acredito que é mais por causa dos meus ouvidos ultra sensíveis do que por medo.
E hoje, saindo da casa do Eduardo, no carro com o Luiz e os filhotinhos dele, com aquela chuva toda que dava vontade de parar o carro e não seguir em frente, mesmo assim, eu ainda falei para ele que era melhor continuar. Era mais perigoso parar do que seguir adiante devagarzinho. Ligamos os faróis, o pisca-alerta... Só que não dava para ver mais de dois metros à nossa frente.
Mesmo assim seguimos.
Ainda bem que não sou mais uma menininha.
E ontem, eu ali naquela varanda, debruçada sobre a mesa, sentindo aquele vento maravilhosamente úmido, ouvindo aquele som divino, sentindo aqueles repingos nas minhas pernas, nem os meus primos, nem as crianças, nem o meu amigo desconfiaram que dentro de mim já viveu uma menina que tinha pavor da chuva. Eu também me esqueci que ela estava ali. Que ela já existiu. E ficou em algum lugar do passado junto às lembranças que volta e meia eu revisito.
Ela cresceu e se tornou a mulher que sou hoje. Um pouco menina, é verdade, mas que pede para o carro andar, ainda que a chuva não lhe deixe ver um palmo diante do nariz.
É que ela sabe que o medo é proveniente do que ela não conhece. E que ele não impedirá a ação da natureza. Que as plantas precisam é do regador do Céu. Que o vento sopra onde ele quer e levará a chuva também para onde ele desejar. Que não adianta tentar dar uma mãozinha para Deus, tentando, com uma mangueira, dar vida ao que quer que seja.
Em suma, aquela menininha aprendeu a caminhar, mesmo que devagarinho, em frente. Sabendo que é perigoso. Só que a mulher sabe que é mais arriscado parar. Porque a chuva acontecerá. E vai passar e dará lugar a um céu mais azul ainda, revelando a explosão da Primavera que chega.
Refrescando o calor do dia inteiro. Enchendo de vida os lugares por onde a água passou, lavando todas as impurezas, acordando muitos seres que dormiam aguardando a sua chegada.
Hoje, diante dos olhos dos que amam, mas ignoram o que passou, ela suspira o cheirinho da terra molhada. E vibra de felicidade só porque depois um sabiá vai cantar para ela dizendo que está feliz. Porque a menininha medroza, virou mulher.
E porque a mulher, quer mais é que chova. Porque ela vai em frente. Daqui a pouquinho vai fazer sol novamente.
E, se não fizer sol, a noite cairá. E mostrará as suas estrelas.

Fotos: By Gabi - Exposição Lágrimas de São Pedro/ Caixa Cultural, num dia lindo de sol. Mas que, no coração, estava chovendo horrores. Tempestade...
Instalação Recomendadíssima!!! Quando chegar à sua cidade, vá correndo ver as gotas d'água e ouvir o lamento de lavadeira. Lindo de ver, delicioso de ouvir.

8 comentários:

Adri Polo disse...

Minha querida,que texto lindo! Acredito mesmo que apesar das tempestades,temos que seguir em frente! Grande beijooooooo

Gabrielle Avelar disse...

Beijos, Adri...
Boa semana para nós outras, não é?
Obrigada por sua gentileza de sempre, Amiga!

Renata disse...

Oi Gabi ^^ ..

Que cooixa maix Biiietinhaa *.*, quando vc falou q ia molhar as plantinhas pra a chuva num vim rs *.* (isso q era ter medo da chuva mesmo)

' e que Mulher Chick)' Sempre anda com um Leque na Bolsa.Amei saber disso =D ...


Beijoo ;*

Renata disse...

Aah Observaçãoo: Ameeeei as fotoos *.* ... Ficaram bem Legaais esses pingos de Chuvaa e vc olhando pra elaas.. Adooreei!
Continuue assim Liindaa!
Postando o q vc pensaa, poois é mto boom, Poois nos 'Leitores' refletimos e pensamoos juntoos! ^^

;*

Gabrielle Avelar disse...

Renatinha, bonequinha linda...
Como sempre fofa!!!
Pois é... Leques. Outro dia eu peguei dois marmanjos rindo do meu!!! Hehehehehe!!! Tem nada não. Como diria Mário Quintana: "São sempre nos outros desprezíveis as qualidades que nos faltam". Afinal, pegaria muito mal para eles sacar um leque do bolso e sair por aí se abanando cheios de charme!!!
Eu prefiro um leque a um pedaço de papel. Ou ainda a ficar me abanando com minhas próprias mãos - o que nada adianta.
Enfim... Sou assim mesmo! De leque em punho, eu não suporto passar calor.
Mas, com relação às fotos, eu as amo também. Eu as tirei em uma instalação que visitei na Caixa Cultural. São mais de cinco mil lâmpadas cortadas em sua base, cheias de água e penduradas com fios de nylon. E, ao fundo, bem baixinho, um lamento de lavadeira.
Lindo!!! Queria ficar horas ali. Era um lugar pequenininho... Mas, era lindo demais. Pena que foi pouco divulgado. E que não me lembro o nome do artista.
Mas, ela está viajando pelo Brasil.
Chama-se Lágrimas de São Pedro.
Linda, linda linda!!!
Aliás, linda é você, minha flor!!!
Beijo enorme!

Anônimo disse...

Leque=coisa mais breguinha do mundo

Gabrielle Avelar disse...

Gabrielle = Pessoa muito brega...
Porque... AMO leques!!! Hehehehehe!!!
Gosto é gosto, fazer o que?
Pense em uma pessoa que não sai por aí apontando o dedo na cara de seu ninguém dizendo que o que faz é brega. Isso sim, é MUITO brega.
Cada qual com seu cada um. E cada um na sua.
Eu com o meu leque, com meu guarda-chuva fazendo as vezes de sombrinha, com meus chapéus, com meus lenços na cabeça e tudo mais a que tenho direito - afinal sou uma mulher trabalhadora -, e você com seus usos e costumes. E vivemos muito bem assim.
O importante, meu caro, ou minha cara, é viver com respeito, gentileza, cordialidade e, acima de tudo, com verdade.
E assim, vamos vivendo a vida. Eu vivo a minha. E ela já me dá muito trabalho. Imagina se eu for ficar cuidando da vida alheia...

Adri Polo disse...

Amiga,que belas palavras suas pra mim...Tenha certeza que iremos nos encontrar.Beijocasssssssss