segunda-feira, 13 de julho de 2009

Anciã...




"Toda saudade é uma espécie de velhice."

Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas.

Estou velha... Caquética, acabada, todos os fios de cabelo estão brancos!!! Rugas incontáveis no rosto... As mãos estão trêmulas e cheias de veias dilatadas... Meus dedos estão nodosos, e não tenho mais forças nas pernas, que agora estão semiflexionadas.
Meus olhos já não enxergam direito. Tudo está embaçado, e as cores estão apagadas de minha memória.
Minha voz já não é mais a mesma. Agora, ela é eternamente embargada, rouca, trêmula.
Já não sinto mais os sabores... Tudo me é insípido... Nem mesmo a água pode saciar a sede que já não tenho.
Tudo em mim é triste como qualquer fim... Porque estou no fim do meu tempo de hoje. E o amanhã eu não sei se chegará.
Já vivi tantas vidas. E desfrutei de tantos prazeres... Agora, tudo está fora do meu alcance. As flores, as manhãs de chuva, de sol...Os cristais já não brilham mais para mim... E não posso ouvir os sons dos pássaros...

Não posso cantar, porque todas as canções fugiram de meus lábios... Todas.
Agora, somente sinto falta daquilo que não tenho. E lamento!!! Lamento por não ter... Por haver sido roubada de mim todas as sinfonias que eu compunha para uma orquestra de sentidos. Por não ter em mim, nem comigo, tudo quanto me fazia sorrir e fazia o meu sol brilhar. Eu estava sol sobre a tempestade... Hoje, eu estou sob a tempestade que não quer passar... E a umidade excessiva das chuvas de lágrimas derramadas sobre mim, enrugam ainda mais minha pele... E o frio que sinto na alma pela falta de quem me esquente, enrijece ainda mais meus ossos, já tão frágeis por causa das quedas que levei na vida...
Estou no fim... Fininha a minha alma... Como tudo em mim dói! Os ossos, a carne, a pele... A alma!
E tenho tanta vontade de gritar, mas já não tenho mais voz. Meu coração está parando... A cada minuto que passa, sinto que ele bate mais devagar. E sei, sei sim, que existe o elixir da juventude... Está em um lugar agora intransponível para mim, de tão velha que eu estou. Estou velha!!! Caindo aos pedaços...
E acho que, de tão velha, eu já morri, mas esqueceram de sepultar esta velha massa que se arrasta pelos caminhos da vida...
Talvez, estejam esperando por um milagre... Com esperança de que a juventude retorne a mim. Quem sabe uma águia me leve à fonte da juventude, escondida pelas montanhas, guardada por um monstro horrendo que tenho ainda de vencer...
Quem sabe por magia... Uma magia que não compreendo. Uma magia que sei que surgirá do nada para mim. E se fará existir, de onde menos espero...

Ah, como eu quero ser jovem novamente!!! E sorrir o sorriso mais profundo, e rir as risadas mais alegres...
Para que a pele do coração recupere o viço, para que suas mãos fiquem novamente firmes para abraçar o amor, e as pernas outra vez fortes para trilhar os caminhos "agrestes e escarpados".
E os olhos voltarão a brilhar esperançosos, sabendo que a visão que mais amam estará sempre ali... E recuperarão o sabor dos beijos, e aquele cheirinho tão gostoso que faz com que ele pulse cada vez mais forte...

Quando recuperar o exilir da juventude, a saudade acabará... E serei jovem novamente... Mas, quando será? Será que terei morrido? Será que o tempo passará demais???
Será que o amanhã existirá, tão jovem quanto é a minha alegria de viver?
Amo. E ponto! E estou velha! E quero ficar jovem!

Voltaaaaaaaaaa!!! Sinto falta do seu nominho aqui...


PS.: Quero agradecer à minha avozinha linda... Mammys de Mammys, por me emprestar suas lindas mãozinhas...
Vó, suas mãos não são velhas como são as minhas... Porque, como disse o Gen. Mac Arthr, "a juventude não é um período de vida, ela é um efeito da vontade, uma intensidade emotiva".
Suas mãos são lindas marcas que o tempo me trouxe. Marcas de alegria, de coragem, de vigor e de amor profundas.
Obrigada, linda!!!

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