domingo, 16 de agosto de 2015

Reduzir, reciclar, reutilizar, dar novo valor... Produzir!!!


Há algum tempo venho pensando sobre o quanto geramos lixo... Demais. Essa semana mesmo, enquanto descascava legumes e verduras aqui em casa, lamentava por não ter uma composteira e uma horta para usar o adubo gerado por ela. E ficava impressionada com o fato de que nós 3 aqui em casa, enchamos, em duas semanas - às vezes menos -, duas lixeiras grandes de lixo seco.
Ontem mesmo estava conversando com o meu marido sobre como nossos conceitos têm sido descartáveis, como o ser humano perdeu seu valor e como não pensamos quando consumimos, exatamente, no nosso valor.
No Facebook mesmo, a gente vê centenas de páginas de proteção animal e quase nenhuma para causas humanitárias. A comoção por um leão abatido covardemente é maior do que a comoção por milhões de seres humanos que morrem todos os dias de fome, doenças provocadas por falta de higiene, guerras...
Quem me conhece, sabe muito bem que eu AMO animais, mas acredito que os valores se inverteram. Quando eu penso, por exemplo, que o lucro está acima da responsabilidade pela saúde, eu tremo de medo. E eu estava pensando em como eu tenho criado minha filha. Quero que ela seja uma pessoa muito melhor que eu e que se preocupe com tudo isso muito antes de mim. Agora!!!
Mesmo sem saber, meus pais nos criaram com o máximo de alimentos orgânicos possível e com um conceito de sustentabilidade gerado por comportamentos herdados havia gerações. Como assim?
Bom, já começa que eu me lembro bem de comer cenouras tiradas diretamente da terra pelo meu avô, que ele mesmo plantava no sítio, e eram lavadas em água do riacho desviado para a rega da terra. Galinhas do terreiro, gado que pastava livremente, em capim plantado, mas que nunca recebia agrotóxicos. O milho da ração e da silagem também eram plantados ali. Essa era a carne que eu comia. 
Na casa da outra avó, doces de frutas - mamão do quintal, abóbora da feira, goiaba do quintal também - doce de leite, peta, pão de queijo e biscoitos feitos em casa... 
Corria na rua, sobia em árvores e comia frutas no pé. Andava descalça na terra, vivia abraçada com cachorros e gatos... E era saudável. Alérgica e asmática, mas saudável - tratada com homeopatia, entrei em remissão da asma e só tive novas crises depois de adulta o que, graças a Deus, há mais de um ano não acontece mais -, e feliz, muito feliz.
Na minha época não havia transgênicos e uso abusivo de agrotóxicos e adubos químicos. Quase não se falava de câncer. Estou assustada como tenho ouvido falar dessa doença e em pessoas muito próximas.
Eu via passar na rua a figura do garrafeiro, a pessoa que comprava os cascos retornáveis de refrigerante e outras bebidas que já estavam mais deteriorados. Ele os vendia. E nós vendíamos para ele. E buscávamos as bebidas no comércio levando os famosos cascos em sacolas que hoje são chamadas de "ecobags"... 
Nossas roupas eram herdadas dos irmãos mais velhos ou dos primos mais velhos e minha mãe sempre aceitou móveis que outras pessoas não queriam mais. Meu berço foi de outra criança mais velha da família, o moisés havia sido da minha prima. Depois, minha cama e da minha irmã foram de primas mais velhas cujos quartos foram redecorados e até hoje eu tenho aqui na minha casa móveis que foram da minha mãe, de tios e de algumas outras pessoas. 
Recentemente descobrimos os leilões onde podemos comprar a preços bem camaradas móveis e objetos de segunda mão que não poderíamos comprar novos. Além disso, amamos feirinhas de usados e antiguidades, frequentamos bazares, e eu adoro brechós. Levo roupas que não quero e acabo trocando por roupas para mim e para minha filhotinha.
E agora estou determinada a melhorar mais ainda meus hábitos. Vou comprar minha composteira e fazer minha horta, e vou tentar reduzir o lixo seco mais ainda. 
Já estou pesquisando a respeito de descartáveis biodegradáveis para o aniversário da minha filha - que quero depois reutilizar como sementeira das hortaliças da minha horta e para o uso da minha própria composteira depois - e vamos fazer algumas coisas para não gerarmos tanto lixo: guardanapos de tecido, e utilizaremos alguns utensílios laváveis.
Aqui na minha cidade mesmo já chegou uma loja bacana de produtos a granel, o que nos ajuda se levarmos nossos próprios potes, e agora vamos fazer algumas outras coisinhas também: aproveitar jeans e camisetas velhos para fazer pequenas sacolinhas para levar para a feira ou sacolão.
Aí você pensa: mas, os utensílios laváveis também poluem porque vai precisar de água para lavar e de detergente etc... Mas, o lixo polui os mananciais, faz com que se utilizem combustíveis fósseis - já que para levar o lixo até o lixão usam-se caminhões.
Utilizando a água com parcimônia, a gente consegue minimizar os efeitos do uso dos laváveis. 
Hoje, a tecnologia também pode nos ajudar. Máquinas de lavar louças utilizam menos detergente e água e pouca energia - se a gente deixar encher de verdade - e as máquinas de lavar roupas modernas utilizam menos sabão, pouquíssima água e menos energia. Aqui em casa eu junto bastante roupa para utilizar a capacidade máxima da máquina. Assim, também economizo na conta de luz.
Também criei o hábito de fazer bastante arroz de uma vez e congelo o que não vou usar no momento. Para descongelar, prefiro deixar um tempinho fora do freezer para descongelar sem precisar usar muito tempo o microondas.  
Com o feijão, a mesma coisa. Cozinho o pacote inteiro de uma vez, e congelo o que não vou usar na hora. Depois é só temperar e o feijão vai estar novinho sempre - quem não gosta do feijão novinho?
Como gosto muito de comprar livros para a minha filha, eu quero agora lançar mão de trocas. Não conheço nenhum clube de trocas aqui na minha cidade, mas vou pesquisar.
E eu, como gosto muito de sebos, vou frequentá-los mais. E levar livros que estão aqui encalhados. Já doamos alguns para uma biblioteca de funcionários terceirizados de um tribunal. E isso também é bom...
Queria abandonar mais o carro, mas isso ainda não é possível. Se eu pudesse, compraria um carro elétrico!!! Hehehehehe... Ainda não dá. No máximo uma bicicleta elétrica, só que aqui é muito perigoso ainda...
Pensando bem, até que tenho alguns bons hábitos, não é? Mas, há muito caminho e mudanças de hábitos pela frente. 
Quero ainda ver a vida com um pouco mais de valor e pensar e repensar nas escolhas que faço para mim e para minha família. Sei que não vou conseguir deixar de gerar resíduos como algumas pessoas têm conseguido, mas vou fazer de tudo para alcançar o maior êxito possível.
E eu os convido a criar uma rede de amigos para formarmos hábitos mais saudáveis e sustentáveis? Que tal, hein?

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