quarta-feira, 28 de outubro de 2009

No canto da sala, no colo do Pai...


Tenho tido uma enorme dificuldade para escrever. Em primeiro lugar por causa das dores na mão esquerda... Um problema para mim, já que passo a maior parte do dia digitando no trabalho.

Confesso, entretanto, que as dores surgiram em um momento delicado para mim. Estou tal qual uma menininha assustada, com um medo enorme e com muita vontade de me encolher num canto da sala e chorar.

Tudo isto porque não sei o que fazer. Repentinamente eu, que sempre soube exatamente o que queria, encontro-me sem saber como agir.

Quer dizer, eu sei bem o que quero. E sou uma pessoa feliz. Muito feliz. E, até essa minha confusão tem me deixado alegre pelo simples fato de me fazer sentir muito viva. Sou, enfim, uma pessoa normal. Nada demais, considerando tudo o que eu passei nos últimos tempos.

Não quero e não me faço de vítima. Mesmo porque até fui algoz em determinados momentos.

Acredito que tudo o que tenho sentido seja fruto da vontade que me invadiu desde maio: O desejo enorme de viver o que sinto. Sentir o que sinto e não me esconder atrás de um sorriso quando meu coração está quebrado. De não ser tão agradável quando me magoam. De não correr quando não há mais tempo...

Estou lendo demoradamente o livro "Comer, Rezar, Amar" de Elizabeth Gilbert, e tenho me descoberto em sua vida.

Descobri, por exemplo, que meus pensamentos são do tipo macaco: Pulam de galho em galho, parando apenas para guinchar, comer e se coçar. Eu hein...

Não quero ser assim tão louca. E estou um pouco determinada a pensar no que penso. Para descobrir, enfim, respostas que estão dentro de mim. Para confiar, de fato, e não apenas em palavras, que o Pai tem minha vida em Seu controle.

Ele sabe que o amo. Sei que sabe. E sabe o quanto eu gostaria desesperadamente de confiar cegamente. Eu fecho os olhos, porém abro-os vez ou outra.

E eu os abri... Faz pouquinho tempo que entreabri os olhos e vi um abismo aos meus pés. E Ele me mandou fechar os olhos novamente. Ou, apenas olhar para a Sua face. Obedeci por puro medo. Pavor. Estou em Seu colo. Mas ainda me lembro do abismo sob mim.

Normalmente, eu me jogaria no abismo para ver no que dava. Poderia cair. Mas, também poderia voar. Já fiz isso algumas vezes. E já me machuquei tantas que Ele resolveu ir comigo dessa vez.

Difícil confiar naquilo que não é você mesmo. Impossível. Porque quando você se joga sozinho, sabe que pode se esborrachar. E imagina a dor. Mas, nos braços de alguém e de olhos fechados, aí a coisa muda de figura.

O que tem me consolado é o fato de olhar em seus olhos e saber que eles tem A Verdade. E que sabe de mim.

Ele, além de me carregar, manda-me anjos magníficos. E um deles me tem dado seu abraço, seu ouvido, seu colo, seu amor, enfim, tudo o mais que se pode desejar na vida. Tem me dado amigos fiéis, que estão comigo mesmo em seu silêncio. E também com suas palavras.

Estou tranquila, agora. Com medo ainda. Mas, menos do que antes.

Mais mudanças à vista... E mais angústia por isso também.

Confesso - não apenas declaro - que estou um bocado cansada disso. Não tenho tido vontade de me adaptar. Não tenho vontade de analisar as razões. De fazer planos.

Aliás, isso é algo que não quero mais fazer. Vou viver um dia após o outro e, de preferência, com uma noite muito bem dormida no meio. O que tem sido até bem frequente, ainda bem.

Vou viver ao máximo o meu dia, desde a hora em que acordo e ouço os miados da Nina que advinhou que abri os olhos, pelo gostoso ritual de ir alimentar as gatinhas e dar - e receber - um abraço de bom dia delas, passando pelo gostoso aroma do café lá na cozinha, e do gosto maravilhoso do pão com mel e requeijão, andando no trajeto de casa ao metrô por baixo de lindos flamboyands, passando por centenas de rostos na rodoviária, desfrutando da lindíssima arquitetura da Capital, respirando o ar fresco da amplitude que encontro ao chegar no trabalho. E aqui, usufruindo do calor dos meus colegas e amigos, do cotidiano tão gostoso que me lembra todos os dias de ser grata a Deus pelo emprego tão bom que tenho.

E, no fim do dia, receber meu abraço delicioso, e o beijo tão alegre e saudoso. E voltar para casa encontrar Minha Tia - Minha -, a Nina gostosa, o Raj feliz e a Felícia gata como sempre...

E vou dormir, sem pensar no que vou vestir no dia seguinte...

Será assim, por enquanto. Ou pelo menos no período em que não puder deixar de segurar tão apertadamente nos braços do Pai, tremendo de medo.

Sei que estou segura. Mas, estou com medo do novo. Mesmo. Assim...

E, no meu coração estou menininha, encolhida num cantinho ali.

12 comentários:

Gabi disse...

Minha querida Gabizinha, as tuas palavras deram-me vontade de chorar. Um dia de cada vez... Pois para mim é um minuto de cada vez sempre esperando que a minha linha horizontal permaneça assim para sempre, mas sem criar expectativas para não sofrer por antecipação. AQUELE BEIJINHO MUUUUIIIITO ESPECIAL.

Anônimo disse...

Vc é muito chata mesmo hein, diz que tá feliz mas sempre melancólica.Toma um remédio, já inventaram.Enquanto não esquecer o bofe vai ficar assim,se lamentando da vida, coisa chata!!!!!!!!!!!!!!

Gabrielle Avelar disse...

Engraçado você me achar tão chata e continuar a ler o que escrevo... O fato é que sou feliz, muito feliz, e que sou alegre, bastante alegre... Só que não tenho de provar nada a seu ninguém. A mim me bastam os que amo. Nem precisam me amar.
Bofe? Quem falou de Bofe aqui, gente? Lamentando a vida? A única pessoa que lamenta qualquer coisa aqui é você! Eu me alegro porque a vida é maravilhosa!!! E me alegro porque posso sentir o que quiser e, posso, sim, ficar triste. E rir de rolar!!! Isto é normalíssimo para pessoas normais.
O Bofe está feliz, eu acho. E eu sou feliz, independente dele ou de qualquer pessoa que seja, sempre fui. E ponto. Se não está satisfeito(a) com o que escrevo o que posso fazer a respeito? Sei lá! Lamento o fato de você perder seu precioso tempo lendo palavras chatas de uma pessoa chata.
Lamento o fato de que aqui a pessoa mais importante sou eu. Lamento o fato de que o que vivi, o que vivo e o que viverei é só meu. Lamento o fato de vou continuar a viver, vou continuar a escrever, vou continuar a caminhar. Vou me lamentar tantas vezes quantas eu desejar. Lamento, só lamento. Por você. Não por mim.
Mesmo porque, eu não vivo para ninguém. Mas, posso viver para amar alguém, se eu quiser. E ninguém tem qualquer coisa a ver com isto!
Então, fica acordado: Será a última vez que terei de responder a você. Não é em vão o fato de que posso moderar os comentários que recebo. E você tem sido uma pessoa extremamente grosseira. Sem necessidade. E também lamento que você possa pensar o que quiser de mim. Porque, siceramente, não importa nem um pouco. Simples assim.

Sara disse...

Olá Gabi, crescemos achando que vamos saber tudo quando adultas e acabamos como meninas num cantinho escuro a resolver nossos traumas né. Não se preocupe pessoas seguras são aquelas com coragem de admitir os próprios medos. E lembre-se não há bem que nunca se acaba, mas não há mal que dure para sempre...Muitos miados alegres por aí...bjs
PS: Ignorar certas coisas é a melhor saída. Percebeu?

Gabrielle Avelar disse...

Não se preocupe, Sara linda!!! Olha, não sei quanto a você... Mas, quando tudo o que você faz, fala ou pensa não lhe dá o que pede ou ainda, o que espera, simplesmente a pessoa fica assim. Ainda que aquilo que não aconteceu seja, ao fim, melhor do que aquilo que desejamos tanto acontecer... Entendeu? Hehehehehehehe!!! Sou uma menina frustrada comigo mesmo. E isto nada tem a ver com outro. E tem tudo a ver com o fato de saber que esse exercício de viver o presente é melhor do que tudo. Desembrulhar com gosto o que nos é dado cotidianamente...
Quanto a ignorar, deixa estar...
Beijo enoooooooooorme em você, lindeza! Vou todos os dias ao seu Blog conferir as news! ;*

Dom Rafa disse...

Mudanças sempre trazem insegurança e se adaptar é necessário. Você com certeza vai conseguir se ajustar. Tudo dará certo em seu tempo. ;)
Bjs!

Anônimo disse...

Gabizinha,
Obrigado por tão generosa menção... É uma enorme satisfação saber que estamos contribuindo para a felicidade do próximo, principalmente daqueles que mais amamos... Que a sua fé em Deus traga a força (que já existe em você) para superar os seus medos e viver a vida na sua plenitude. Beijos!

Gabrielle Avelar disse...

Generosa? Generoso é você que, mesmo sabendo que estou aqui encolhida no canto da sala, sem saber por onde andar, ainda assim consegue me amar.
Mesmo sabendo dos meus medos e inseguranças, segura a minha mão. Mesmo sabendo que não estou conseguindo "mergulhar" mais fundo, está comigo lá. Mesmo querendo ir embora não me deixa só porque sabe que não consigo ficar só agora. E nem posso...
Não tenho forças agora e Deus sabe disso. Por isso mesmo é que estou em Seu colo. Acho que não há lugar melhor para estar.
Isto tudo também é vida plena. E a vida plena, para quem só viveu pedaços, e como tudo o que é novo e desconhecido, também traz medos. E muitas alegrias.
Beijos, Cherrie...

Anônimo disse...

Gabi,
Os seus comentários trouxeram uma vaga ideia do que se passa... Bom, é melhor do que nada, né? Rs rs rs... Não crio expectativas, pois não gosto de viver em meio a incertezas, não me sinto totalmente à vontade. Mas, diante de tanta atenção, tanto carinho e cuidado, só tenho razões para acreditar que existe ao menos a possibilidade... Não sinto a sua incompletude quando está ao meu lado. Muito pelo contrário! Você me faz mais feliz... Estarei sempre ao seu lado... Enquanto quiser... Beijos! Paulo

Gabrielle Avelar disse...

O que posso dizer?
Estou um pouco "muda" hoje... Desde ontem eu me pego pensando na vida... E não consigo parar porque meus pensamentos "macaco" não se coçam, não guincham e não tem fome!!! Hehehehehehe!!! Estou de galho em galho ocupada em entender o caminho que percorri até agora, para lembrar onde foi que eu tropecei, como tropecei e por que eu tropecei, se é que posso me fazer entender. Isso tudo é para ver se não caio novamente e, mesmo que caia, que possa amortecer a queda e que não machuque mais ninguém. Bom, é isto.

O Profeta disse...

Frias pedras, negro basalto
Sentinelas do receio à tempestade
Testemunhas da viajem do tempo
Cobertas de sal, guardiãs da verdade

Mas, não há duas reais verdades
Não há rios que correm para o alto
Não há amor num coração que mente
Não há ternura sem viver o momento


Vem viver a minha cidade inventada


Doce beijo

Eveliny Siqueira disse...

Ahhhhhhhh você é muito fofa!!!